Artur é o candidato à presidência da CUT Nacional

12 junho 11:13 2006

Na manhã desta sexta-feira (09), os 2.700 delegados que participam do 9° CONCUT (Congresso Nacional da CUT) vão às urnas para eleger a nova direção da maior central sindical da América Latina e quinta maior do mundo. A chapa apoiada pela Articulação Sindical (ArtSind), que reúne os maiores e mais representativos sindicatos cutistas de todos os ramos, será encabeçada por Artur Henrique da Silva Santos, atual secretário geral da CUT e dirigente do Sinergia CUT.


A decisão foi aprovada na noite da última quarta-feira (07) durante plenária da ArtSind. O nome de Artur foi referendado como a liderança que vai renovar e oxigenar a direção colegiada da CUT pelos próximos três anos. A eleição acontece no Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo. O candidato da outra chapa é o metroviário Wagner Gomes, da Corrente Sindical Classista (CSC).


Vale lembrar um pouco da trajetória desse eletricitário que deve assumir o comando da Central Única dos Trabalhadores a partir desta sexta.  Uma história de luta que se confunde com a luta dos energéticos e com história do Sinergia CUT. Uma capacidade de liderança que faz história também na Federação Nacional dos Urbanitários e na Central Única dos Trabalhadores.


É com esse perfil de enorme capacidade de organizar, mobilizar e negociar que Artur, agora candidato da ArtSind à presidência da CUT, deve assumir a presidência da maior e mais combativa central sindical do Brasil. Motivos não faltam para fazer de Artur a principal liderança do movimento sindical combativo.  Sua militância começou  junto com a fundação da CUT. Em 1983, foi eleito conselheiro representante dos trabalhadores da CPFL. Em 1987, ajudou a expulsar os pelegos do Sindicato dos Eletricitários de Campinas, entidade que foi pioneira em proibir o desconto do imposto sindical.


Alguns anos depois, liderou a  união de eletricitários e gasistas em uma nova entidade – o Sinergia CUT – que desafiou a legislação ultrapassada e virou referência de liberdade e autonomia sindical na prática. Antes disso, liderou também  a luta de resistência à privataria que o governo tucano impôs ao setor energético. Apesar da liqüidação do patrimônio público, o Sinergia CUT conseguiu impedir demissões em massa e garantir a participação de representantes dos trabalhadores nos Conselhos de Administração das empresas privatizadas.


Foi depois secretário de Formação da CUT/SP, secretário de Organização da CUT, representante dos trabalhadores no Fórum Nacional do Trabalho e secretário Geral Nacional. Sem nunca deixar de ser energético, por onde passa Artur  deixa a marca registrada pela capacidade de levantar bandeiras e construir trincheiras. Teve papel decisivo na reestruturação dos ramos e das CUTs estaduais, no debate da proposta de reforma sindical, na construção da  Agenda dos Trabalhadores e na mobilização da II Marcha Nacional pelo Salário Mínimo.


Tem habilidade e determinação para garantir a unidade dos trabalhadores com uma gestão democrática para fazer da CUT uma central cada vez mais combativa e soberana na perspectiva da construção de uma sociedade democrática e socialista. Sem medo da luta pela reeleição de Lula, para garantir avanços na geração de emprego com  crescimento sustentável, distribuição de renda e justiça social. Isso também é Sinergia CUT.



Compromissos com a CUT


Para Artur, enfrentar os desafios colocados diante da Central neste início de século significa discutir e executar com todas as forças políticas que atuam na Central um planejamento estratégico que, entre outros compromissos, priorize:


1. O crescimento e fortalecimento da CUT. A CUT precisa colocar na ordem das prioridades a realização de um amplo diagnóstico sobre a situação dos sindicatos em todo o País. Este diagnóstico sindical deve alcançar não só os sindicatos filiados e é imprescindível para organizar as lutas e as disputas políticas da CUT frente a outras centrais sindicais. O crescimento, sua interiorização pelos rincões mais distantes do Estado e do País, dependem de um bom diagnóstico da realidade política de cada região e de cada local, estabelecendo prioridades da CUT nas disputas de eleições sindicais e filiação de novos sindicatos. Isto vai significar o fortalecimento das organizações da CUT no interior do Brasil, em pequenas cidades e pequenos sindicatos, em especial em ramos como o dos trabalhadores do comércio, funcionários públicos municipais e rurais.


2. Reforçar o papel dos ramos e estaduais. Aprofundar o trabalho de reestruturação dos ramos e fortalecimento das CUTs estaduais, promovendo lutas nacionais por ramos, fomentando o funcionamento de articulações regionais e ajudando no planejamento das ações das instâncias estaduais. Para alcançar este objetivo, a CUT precisa dar prosseguimento ao projeto ‘Construindo o Futuro’ e precisa mobilizar lutas por ramos, discutindo pautas de reivindicações nacionais, fazendo negociações com confederações patronais e procurando empunhar bandeiras de defesa e conquista de direitos em nível nacional. Também deve ocupar-se com a unidade internacional dos trabalhadores, de forma a construir mobilização e luta dentro das transnacionais que organizam hoje a economia mundial.


3. Investir em comunicação. Dar prosseguimento aos projetos de comunicação da CUT, caminhando na criação de redes nacionais de informação, divulgando as mobilizações e fortalecendo a CUT nas disputas políticas locais e regionais e nos confrontos com as demais centrais. Para isto será preciso, mais que participar das disputas políticas em torno da democratização da comunicação, reforçar as iniciativas da gestão 2003/2006 que implantou projetos de televisão e rádio. Desenvolver estes projetos significa antes de tudo buscar coordenar os sindicatos em suas iniciativas neste campo e organizar um trabalho de produção de análises e notícias bem como integrá-los numa rede nacional organizada em forma de agência de notícias da CUT.


4. Resgatar a formação sindical. Aprimorar os instrumentos de formação da Central, priorizando a formação ideológica e a preparação política da militância cutista. Viabilizar este projeto significa otimizar os recursos disponíveis, escolas, projetos de parcerias, priorizar os investimentos em formação e organizar novos projetos recorrendo inclusive a métodos e técnicas que tornem possível disponibilizar estes cursos para todos os sindicatos e instâncias em todo o território nacional.


5. Construir assessoria jurídica, política e parlamentar. Reestruturar o escritório da CUT em Brasília, organizando uma assessoria capaz de dar conta das demandas políticas da Central junto aos poderes executivo, legislativo e parlamentar federal. Com a mesma prioridade, investir na construçào de assessoria jurídica para a Central. As assessorias política e jurídica em Brasília estão entre as principais carências da estrutura de organização da Central. Ao lado da assessoria econômica e do projeto de comunicação, reestruturados na gestão 2003/2006, a estruturação de uma assessoria jurídica e de um escritório político e parlamentar em Brasília capazes de fazer um acompanhamento das principais demandas da central em relação ao executivo, bem como acompanhar as principais votações no parlamento e os principais julgamentos nos tribunais superiores são estratégicos para que a CUT possa fortalecer o trabalho dos ramos, organizar pautas nacionais e organizar subsídios para centralizar lutas e campanhas nacionais.


6. Fortalecer relação com movimentos sociais. Fortalecer as relações da Central com os movimentos sociais, em especial com a Coordenação de Movimentos Sociais, investindo numa agenda de mobilização e de lutas capaz de consolidar a unidade das organizações populares e resultar em novas conquistas sociais e democráticas para o País. Com o objetivo de reforçar estas relações com o movimento social, dentro do planejamento estratégico a ser realizado no interior da CUT, organizar as intervenções da Central e dos sindicatos cutistas nas lutas sociais em todo o País.


7. Pensar a CUT para os próximos anos. Investir no aprofundamento das relações da CUT com as universidades de forma a instrumentalizar os trabalhadores para os desafios do futuro. A relação com a universidade é uma política estratégica a ser desenvolvida pela CUT. Mais que resultados imediatos para fortalecer as lutas do presente, para dar sustentação política à ação da CUT entre formadores de opinião, a relação com as universidades é indispensável para ajudar os trabalhadores a construir um arsenal teórico e uma inteligência estratégica capaz de prever os movimentos em torno do mercado de trabalho, do desenvolvimento de setores econômicos de ponta, reestruturação produtiva e seus reflexos de curto, médio e longo prazos sobre a vida dos trabalhadores.


8. Garantir na prática a autonomia da CUT, não só no discurso. Garantir a autonomia da Central frente a partidos e governos, sem perder de vista nossos compromissos de classe e sem esquecer que a CUT tem lado na disputa política nacional. Neste sentido é preciso abandonar qualquer posicionamento dúbio para assumir com coragem a defesa dos interesses estratégicos dos trabalhadores na sua luta por uma sociedade socialista e democrática. A CUT tem lado na disputa instalada no interior da sociedade brasileira que divide de um lado as elites conservadoras e de outro as forças políticas e sociais interessadas em promover mudanças profundas na sua estrutura política e econômica. Por isso, a reafirmação da autonomia da Central não significa perder de vista o compromisso de classe que exige dos trabalhadores, neste momento, uma tomada de posição clara em relação à defesa do governo Lula. A confusão que se pretende fazer entre autonomia e defesa do governo Lula representa apelar ao velho discurso da direita que chamava e continua chamando a CUT de braço sindical do PT.


9. Com Lula, pela geração de emprego e distribuição de renda. Aprofundar as formulações políticas e planejar a ação de mobilização dos trabalhadores e seus aliados, pela reeleição de Lula e em torno de uma plataforma de luta pela geração de emprego e renda, com crescimento sustentável, distribuição de renda e justiça social. Lutas como a do reajuste do salário minimo, da tabela do imposto de renda, do crédito para a agricultura familiar e outras conquistas do último período, devem ser fortalecidas ao lado de novos desafios a serem assumidos por uma Central independente, autônoma e compromissada com os objetivos estratégicos dos trabalhadores.


10. Disputar o orçamento público. Articular a disputa dos recursos do orçamento público para investimentos em políticas sociais deve ser uma das nossas principais preocupações. Neste sentido, será estratégico mobilizar um amplo leque de alianças entre trabalhadores do setor público e privado, campo e cidade, com o objetivo de disputar nos orçamentos públicos federal, estaduais e municipais investimentos em políticas sociais, em especial na educação, saúde, transporte, energia, habitação, agricultura e outras prioridades públicas.

  Categorias: