Ildo Sauer, da Petrobras: Gás natural é oportunidade de mercado

13 junho 10:10 2006

Em meio ao impasse iniciado com a decisão do presidente da Bolívia, Evo Morales, de nacionalizar as reservas de óleo e gás, a Petrobras avalia que o mercado de gás natural brasileiro representa uma boa oportunidade para investimentos. A aposta da estatal na geração térmica tem como objetivo reverter os prejuízos obtidos no segmento, quando decidiu assumir os riscos dos empreendimentos. Com o plano em curso, a estatal mantém em seu portfólio 14 usinas, nas quais possui participações ou o controle integral.


E é exatamente com a intenção de aproveitar o momento atual que a Petrobras pretende se mobilizar, de acordo com o diretor de Gás & Energia da estatal, Ildo Sauer. Principal player da exploração e produção do insumo no país, planeja garantir o fornecimento atual de 30 milhões de metros cúbicos diários da Bolívia e alcançar em 2010, no Brasil, a meta de 70 milhões de metros cúbicos diários.


Sauer ressalta, no entanto, que a estratégia no setor envolve a adoção de combustíveis alternativos ao gás num plano que foca a segurança e o abastecimento, que tem como epicentro a implantação de infra-estrutura para o gás natural liqüefeito. Para o setor de Gás & Energia como um todo, a expectativa é de investimentos de, pelo menos, US$ 16 bilhões até 2010.


Ele alerta, porém, para o fato de que a empresa não é a única responsável pelo mercado de gás. Enquanto rechaça a afirmação de que o impasse com o país vizinho não é uma crise, mas uma oportunidade que a empresa enxerga desde que entrou nesse nicho, o executivo destaca que as ações da empresa estão programadas dentro de um plano cujos cenários são considerados viáveis.


‘Quem quiser investir, será bem-vindo ao mercado que ajudamos a consolidar’, diz. Na entrevista à Agência CanalEnergia, Sauer conta qual será a estratégia da companhia no leilão de energia nova A-3, diz quais as lições a empresa teve com o Programa Prioritário de Termeletricidade e manifesta-se contra a implantação de uma lei específica para o gás natural.


Agência CanalEnergia – O que muda na estratégia da Petrobras para a área de Gás & Energia com as recentes decisões do governo da Bolívia?


Ildo Sauer – A relação da Petrobras, como investidora na Bolívia, foi afetada profundamente em termos de rentabilidade devido às decisões soberanas do governo boliviano. É uma relação normal, que será resolvida dentro do processo de negociação – tanto no âmbito nacional da Bolívia quanto no âmbito internacional, de proteção aos investimentos. A Petrobras sabia que estava sujeita à constituição boliviana, que prevê a nacionalização mediante prévia e justa indenização.


Quanto à área de Gás & Energia no Brasil, muito pouco se alterou, a não ser o humor da opinião pública, agitado pela imprensa. Confundiu-se aumento de impostos da Bolívia com aumento do preço do gás extraído. A relação do Brasil com a Bolívia é uma coisa; entre a YPFB e a Petrobras é outra, regida por contrato internacional. O que muda neste momento é a revisão da previsão de trazer mais quatro milhões em 2009 e aumentar a produção em mais 11 milhões de metros cúbicos, chegando a 15 milhões de metros cúbicos diários até 2013.


Agência CanalEnergia – A Petrobras prevê alguma alteração de preços por parte da Bolívia?


Ildo Sauer – Embora tenha ouvido pleitos dos dirigentes da YPFB pela imprensa, até o momento não existiu nada formal nesse sentido. Cabe à Bolívia e à YPFB o direito de mandar uma nota fidedigna à Petrobras, pedindo mudanças, se julgar necessário. O contrato prevê a criação de comissão de negociação que cuidará do tema por 45 dias. Se não houver acordo, assiste à parte insatisfeita o direito de recorrer ao tribunal, a ser constituído segundo os critérios da American Arbitration Association, e seguir o ritual da lei em Nova Iorque. Agora, eu duvido que isso venha a acontecer.


Agência CanalEnergia – Por quê?


Ildo Sauer – O gás natural está vinculado a uma cesta de óleos. Hoje, o contrato QDCP, tem preço de US$ 3,43 por milhão de BTU, base em 1° de abril. O QDCA (adicional assinado em 98 e 2000) está em US$ 4,21 por milhão de BTU. Com mais US$ 1,70 de transporte, tem-se aí o preço médio de US$ 5,50 por milhão de BTU. Acrescido da margem da distribuidora e impostos, esse preço faz com que o gás seja marginalmente competitivo ou não, de acordo com cada cliente. Em comparação com bagaço de cana, lenha, biomassa, carvão mineral e coque, por exemplo, o gás já está mais caro.


Num mercado competitivo, não há mais o que fomentar, o contrato está relativamente equilibrado. Essa será a nossa linha de raciocínio, que será levada à mesa de negociação. Acho que contaremos com a compreensão da YPFB de que é melhor buscar outro caminho. Pagávamos inicialmente US$ 1 por milhão de BTU e agora pagamos US$ 3,43 ou US$ 4,21. Há um ganho enorme na cadeia de produção deles.


Agência CanalEnergia – Há possibilidade de aumento de preços no Brasil?


Ildo Sauer – Não vai ter aumento, a não ser o normal, a cada três meses. Pelo critério do contrato, os dois trimestres anteriores ao último definem qual é o valor da cesta de óleo, que por sua vez, define o preço do gás. Esses números que te dei tem data base de primeiro de abril. Eu nem vou discutir isso, não vai acontecer.


Agência CanalEnergia – Num discurso recente, o presidente Lula disse que se ocorresse aumento nos preços do gás pela Bolívia, a Petrobras absorveria.


Ildo Sauer – Estive em duas reuniões para tratar desse assunto e ele nunca me falou nada nesse sentido. O que o governo brasileiro tem dito sistematicamente é que as questões da Petrobras são negociadas pela Petrobras. Certamente, esse assunto foi tratado fora de contexto do presidente da República, que deu uma opinião e surgiram ilações. Quem negocia preço é a Petrobras. Indenizações da Bolívia ficam com a Petrobras Internacional. O governo brasileiro, porém, tem tido papel extraordinariamente positivo de manter o diálogo aberto. Os dois países são vizinhos, amigos, que querem e precisam cooperar. A atitude serena, tranqüila, cooperativa, de diálogo tem ajudado muito nas negociações.


Agência CanalEnergia – Como será a conversão de térmicas, conforme anunciado recentemente?


Ildo Sauer – Estamos discutindo o processo de segurança, redundância e aumento da confiabilidade no suprimento para o mercado de gás natural, baseado em três pontos. Além da importação boliviana, plenamente em vigor, temos agora um programa ainda mais acentuado de investimentos em descobertas recentes, confirmadas em abril. Não foi em função da Bolívia que anunciamos o plano de aumentar a produção, entre 2006 e 2008, em 24 milhões de metros cúbicos diários.


Segundo ponto é a conversão das termelétricas. Elas vão operar sempre flexfuel. Ou gás natural-álcool, ou gás natural – gás liqüefeito de petróleo, ou gás natural – diesel. O projeto já está em andamento, mas os testes estão previstos para começar em setembro, na usina Barbosa Lima Sobrinho, ex-Eletrobolt (RJ, 386 MW), cujas turbinas já estão sendo convertidas. Algo semelhante será feito com o GLP na Macaé Merchant (RJ, 896 MW). A usina de Canoas (RS, 161 MW) já obteve a licença e a conversão para diesel está sendo contratada.


Agência CanalEnergia – O GNL entra onde?


Ildo Sauer – A grande solução, cujos estudos também estavam em andamento, é a do GNL. A princípio, uma das plantas será instalada em Pecém (CE); uma segunda, provavelmente na Baía de Guanabara (RJ); e ainda estamos estudando uma terceira em São Francisco do Sul (SC). No atendimento ao despacho térmico, uma fração poderá ser atendida por GNL permitindo que o gás firme vá para o mercado firme. A flexibilidade das térmicas permitirá o cumprimento dos contratos em qualquer anormalidade, como acidente na produção ou atraso de obras.


Agência CanalEnergia – Então, não há risco de suprimento de gás para as térmicas?


Ildo Sauer – Todas as termelétricas com contrato têm seu suprimento assegurado. Nós não vamos garantir gás para quem não assinou contrato. E os que compraram eletricidade da Petrobras com base em gás natural receberão sua eletricidade, seja queimando gás natural, seja combustível alternativo, ou mesmo GNL. Hoje, só quatro usinas no Brasil têm contrato firme com a Petrobras – Termopernambuco (PE), Termofortaleza (CE), Norte Fluminense (RJ) e Juiz de Fora (MG). É verdade que nós estamos enfrentando algumas dificuldades no Nordeste, o que está sendo resolvido com aumento da produção, da malha de gasodutos e do GNL de Fortaleza. Mas era previsível que haveria problemas, pois colocaram termelétrica onde não havia gás.


Agência CanalEnergia – O programa não visa a atender, então, a uma crise do gás?


Ildo Sauer – O anúncio do programa, que já estava em curso, apenas coincidiu com a efervescência da opinião pública, motivada pela imprensa, para uma crise que não existe no Brasil. A crise do gás é a ”crise de Itararé” – igual àquela batalha que não houve. Existe um ambiente extremamente favorável, uma enorme oportunidade de se investir adicionalmente na produção, em volumes e limites que achamos rentáveis. Até 2003, nunca se falou tanto em gás natural no Brasil. De lá para cá houve um extraordinário esforço para desenvolver o mercado.


Quem fala em apagão do gás, fala bobagem. Noto com absoluta perplexidade que alguns analistas não compreenderam a lógica do gás e querem confundi-la com a do setor elétrico, um monopólio natural forte. Não se compara gás natural com eletricidade, que é um serviço insubstituível, ou com muita dificuldade de substituição.


Agência CanalEnergia – Qual a estimativa de custo de geração, tanto para álcool quanto para GLP e diesel?


Ildo Sauer – Isso é um problema empresarial da Petrobras, de maximizar seu resultado e garantir a confiabilidade de seus contratos para seus clientes. Só vou cobrar o preço de venda da eletricidade que está nos contratos – cujos preços são do leilão de dezembro do ano passado. Achamos que é uma boa oportunidade, especialmente como reserva energética, já que esses combustíveis alternativos serão usados em usinas com baixa probabilidade de despacho. É melhor vender esse gás natural ao mercado firme, industrial, onde terei renda permanentemente, e ter opções de backup para as termelétricas.


Agência CanalEnergia – Como a empresa se prepara para uma entrada em vigor da Lei do Gás e a eventual criação de um mercado secundário?


Ildo Sauer – Não conheço Lei do Gás nem mercado secundário, para mim não existe. O que existe é a flexibilidade nos combustíveis e seus substituíveis. Estamos usando a flexibilidade que a natureza técnica e econômica dos combustíveis permite. O gás substitui muitos derivados e alguns derivados substituem o gás, dependendo das circunstânicas técnicas.


Agência CanalEnergia – A Lei do Gás voltou à discussão em função do debate sobre o gás boliviano. Qual sua avaliação sobre este projeto?


Ildo Sauer – A Petrobras não tem obrigação de produzir ou transportar gás. Fazemos porque é um bom negócio. No Brasil, o mercado é inteiramente aberto, a partir da lei 9.478/97. Quem quiser investir em produção e transporte, será bem-vindo, como parceiro ou concorrente da Petrobras. Quem quiser consumir gás, será bem atendido. Terá um excelente produto, desde que se previna e assine o contrato de suprimento. É um enorme equívoco achar que no Brasil o problema é falta de lei. A legislação vigente é favorável para novos investimentos, embora possa ser aperfeiçoada, sim. O ambiente regulatório não é problema. O que falta é investimento, empreendedores que queiram correr riscos para investir. É importante avisar aos que acham que uma lei permitirá que os gasodutos feitos pela Petrobras sejam utilizados por terceiros: podem tirar o cavalo da chuva. Só fazemos gasodutos que nascem cheios, têm garantia de carregamento e procedência da própria Petrobras. Se a lei está sendo feita para tentar garantir livre acesso aos gasodutos da Petrobras, é mais uma ilusão.


Agência CanalEneregia – Relembrando o caso das merchants, qual a lição que fica para a Petrobras e para o setor?


Ildo Sauer – Isso vale para a Bolívia e para as merchants. É preciso aprender que o prejuízo com as merchants e o gás boliviano derivam da mesma realidade, a hegemonia do neoliberalismo que privatizou todo o gás da Bolívia e deixou os bolivianos sem nada, nem a ver navios, porque não tem mar (risos). Isso explica a reação forte que surgiu por lá. Para desenvolver e monetizar as reservas da Bolívia, criou-se um enorme encargo para a Petrobras, que tem apenas 51% de um gasoduto de US$ 2 bilhões, mas assuniu o risco de 100% da venda e transporte do gás. Além disso, ficou associada a uma carteira de projetos onde o risco foi inteiramente repassado, seja como offtaker de energia elétrica ou vapor seja como offtaker de garantidor da energia elétrica das merchants ou de distribuidoras de gás. A Petrobras assumiu o risco de empreendedores como a Enron, cujos dirigentes, hoje, estão presos. Esta é a lição: a Petrobras nunca mais será utilizada como âncora deste tipo de aventura. Aceitar negócios fáceis, com assimetria total de riscos. É preciso ter serenidade e seriedade, além de saber que there”s no free lunch (não existe almoço gratuito).


Agência CanalEnergia – E a lição sobre o PPT?


Ildo Sauer – Em 2003, já tínhamos um contrato em vigor com a Bolívia, mesmo com fracasso do PPT. O racionamento reduziu o consumo de eletricidade, que inviabilizou as térmicas. Nenhuma usina quis assinar os contratos de gás adicionais depois disso e muitas devolveram contratos, como Araucária (PR, 484 MW). Caíram no nosso colo a participação em 11 termeléticas, não porque a Petrobras quis. Para reduzir prejuízos, assumimos as usinas junto com a ausência de contratos de venda de eletricidade e de contratos de gás. Desenvolvemos o mercado de gás no Brasil, um enorme sucesso, ao invés de ficar pagando take or pay, ship or pay, sem perspectiva de vender o gás. O consumo passou de 10 milhões de metros cúbicos por dia para 24, 25 milhões de metros cúbicos por dia, com chance de subir para 30 milhões.


Agência CanalEnergia – A área de Gás & Energia, depois de operar durante bom tempo no vermelho, vem apresentando resultados positivos. A que se deve esse cenário?


Ildo Sauer – Positivos ainda não, estamos zerando. Estamos jogando o Grenal. Em geral no azul, mas às vezes aparece um ‘vermelhinho’ num trimestre ou outro (risos). Acho que é o esforço de partir para as auditorias jurídicas e econômicas dos três contratos merchants, com arbitragem e negociação direta. Reduzimos um prejuízo, só em térmicas, de US$ 1,5 bilhão para US$ 500 milhões. Para o Tesouro Nacional, o prejuízo que seria de US$ 700 milhões, em impostos que não receberia, caiu para US$ 250 milhões. Isso é resultado de uma negociação dura e árdua, pela qual fomos duramente criticados, mas que nossos investidores reconheceram. Quando encerrávamos uma negociação, as ações subiam.


Além disso, quando desenvolvemos o mercado, seguramos o preço do gás entre 2003 e meados de 2005, ao chegar a 24 milhões de metros cúbicos diários. Adotamos a mesma estragégia que a Espanha utilizou ao longo de nove anos. Ela segurou os preços até criar um mercado de gás natural, para normalizar depois. É bem verdade que – façamos justiça – fomos muito ajudados por George Bush, Saddam Hussein, Bin Laden, e pela própria conjuntura externa, que contribuíram para um aumento mais rápido dos preços do petróleo e diminuíram a chance de prejuízo. Criou uma pressão positiva na busca do gás.


Agência CanalEnergia – Qual a estratégia da Petrobras para Gás & Energia para os próximos anos?


Ildo Sauer – Para termelétricas, a estratégia é consolidar o portfólio existente, reduzindo os custos e riscos e racionalizando os contratos herdados. Assumimos a Macaé Merchant, a Eletrobolt e a Termoceará (CE, 220 MW). Convertemos um negócio escandaloso num mau negócio. Assumimos também o controle da TermoRio (RJ, 1.038 MW), TermoBahia (BA, 178 MW) e Fafen (RJ, 133 MW). Estamos negociando com Ibiritermo (MG, 228 MW) e Cubatão (SP, 208 MW), em construção. Todas têm sócios que saíram do negócio. A área de E&P prevê investimentos de US$ 10,5 bilhões até 2010; na área de Gás & Energia, prevemos investimentos de US$ 5,5 bilhões em gasodutos até 2010, para construir uma grande malha integrada, conforme nosso plano estratégico, entre outros pontos.


Na área de energias renováveis, a Petrobras já inaugurou duas plantas com duas tecnologias distintas de fazer biodiesel em Guamaré (RN) e o desenvolvimento do H-Bio, a conversão direta de óleo vegetal em diesel nas refinarias. Não desistimos inteiramente de participar do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica. Estamos buscando oportunidades rentáveis. Tínhamos plano de ter entre 100 MW e 300 MW em usinas eólicas, mas nada pôde ser materializado neste momento em razão da deterioração da relação econômica do custo do investimento vis-a-vis receita esperada e custo de aquisição.


Agência CanalEnergia – Quais a estratégia para o leilão de energia nova A-3, marcado para o dia 29 de junho, via internet?


Ildo Sauer – Só venderemos no leilão A-3 o resto que falta de Eletrobolt. As demais usinas não estão inteiramente contratadas, mas temos uma estratégia de contratação. Nós temos contratos bilaterais, do mercado regulado e do mercado livre. Fizemos uma partição de negócios em cima da nossa conveniência. Vendemos cerca de 1.400 MW no leilão passado. O resto de nossos contratos são bilaterais. O maior contrato que tenho é com a CPFL Energia, de quase 800 MW.


Agência CanalEnergia – O senhor acredita em maior participação do gás natural na matriz energética?


Ildo Sauer – Eu não acredito que a indústria de térmicas a gás natural vá expandir muito além das térmicas existentes, a não ser que alguém queira fazer com GNL no futuro. A energia hídrica custa de US$ 30 a US$ 40 por MWh. Para ser competitivo, o gás precisa entrar com preço entre US$ 3 e US$ 4 o milhão de BTU. O gás boliviano custa em média US$ 5,50 por milhão de BTU e substitui gasolina e GLP, que estão por cerca de US$ 10 por milhão de BTU. Óleo combustível vale US$ 7, US$ 8. Por que queimar gás no lugar da água? Desvalorizar o gás para valer US$ 3 a US$ 4 o milhão de BTU, quando substitui derivados de petróleo que estão extremamente valorizados? Não seria uma decisão sensata sob o ponto de vista econômico e ambiental.


Já as térmicas a óleo são opções inteligentes porque nas épocas de baixa hidrologia podem usar óleo combustível, que é uma commodity internacional. Além de poder atuar como bicombustíveis, têm baixo custo fixo e de capital. Têm combustível de médio custo, mas disponível no mercado internacional, ao contrário das usinas a gás. Essa foi a visão da Canambra nos anos 60/70, com o primeiro grande plano brasileiro de recursos hídricos.


Naquele tempo surgiram Piratininga, Santa Cruz, Camaçari, Bongi, Campos, Carioba, Igarapé, entre outras. A adequada orientação de planejamento e negócios em energia elétrica têm uma lógica que não mudou nos últimos 50 anos. Houve um enorme equívoco na concepção do PPT em tentar inverter essa lógica natural, de base técnica e econômica. Demos com os burros n”água, mas estamos voltando à realidade. (Fábio Couto)

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