Frente Parlamentar pela Igualdade Racial da ALESP debate projeto da USP

14 junho 19:00 2006

Sistema acrescentará 3% às notas obtidas no vestibular por alunos do ensino público


A Frente Parlamentar pela Igualdade Racial, presidida pelo deputado Sebastião Arcanjo (PT), debateu na Assembléia, em 12/6, programa a ser implementado pela Universidade de São Paulo (USP) para inclusão de alunos afrodescendentes e outros oriundos do nível médio da escola pública, o Inclusp. Participaram da discussão a professora Selma Garrido Pimenta, pró-reitora de graduação da universidade, que veio representar a reitora Sueli Vilela; Eduardo Pereira Neto, coordenador da Educafro, e Sérgio José Custódio, coordenador do Movimento dos Sem Universidade (MSU), militantes ligados ao movimento negro e outras entidades da sociedade civil.


Selma Pimenta esclareceu ao público que integra um grupo de trabalho que recebeu da reitora Sueli Vilela a incumbência de fazer um esboço de proposta para a inclusão de alunos vindos da escola pública. O resultado desse trabalho é o Inclusp, que tem como finalidade ‘sistematizar a contribuição da USP para a superação das desigualdades sociais; expressar preocupação com as barreiras socioeconômicas existentes na sociedade brasileira e no Estado; e assegurar maior acesso às vagas da USP para alunos da escola pública’.


Segundo declarou a professora, a Universidade de São Paulo desenvolveu o programa a partir do reconhecimento de que, em seu meio acadêmico, existem poucos representantes pretos, pardos e oriundos da rede oficial de ensino, mas que tal fato não pode ser creditado à instituição. Para ela, trata-se de um reflexo das contradições vividas pela sociedade brasileira.


Algumas alterações implementadas pelo Inclusp serão estabelecidas já para o próximo vestibular, como o sistema de pontuação acrescida que somará 3% às notas de vestibular desses alunos, tanto as da 1ª como da 2ª fase. As questões serão reduzidas a 90, quando tradicionalmente eram 100, permanecendo, no entanto, o mesmo tempo disponível para resolvê-las.


Além dessa medida de curto prazo, haverá um conjunto de ações para apoiar os estudantes antes, durante e após o ingresso. A USP celebrará parceria com a rede de ensino público para o estabelecimento de um programa de avaliação seriada que irá substituir a 1ª fase da Fuvest, a médio prazo.


Para Eduardo Neto e Sérgio Custódio, as alterações pretendidas são bem-vindas e têm o apoio das entidades que representam, porém ambos ressaltaram que ainda é muito pouco. Para Neto, ‘o Inclusp é tímido, pífio’. Ele também questionou se as vagas disponíveis irão realmente para alunos de baixa renda e da periferia. Na opinião dele, as vagas deveriam atender alunos com renda abaixo de R$ 500.


Mesmo considerando a proposta da USP uma vitória do movimento, Custódio, do MSU, declarou que a iniciativa da universidade é, na verdade, uma colaboração para a campanha presidencial do ex-governador Geraldo Alckmin. Ele apresentou ao deputado Sebastião Arcanjo requerimento pedindo a constituição de uma CPI para investigar a relação entre a Fuvest e os cursinhos particulares pró-vestibular. Custódio sugeriu ainda a inclusão no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), em trâmite na Assembléia, de emenda que destine recursos extras para a permanência de alunos da escola pública na universidade.

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