Estatal colombiana compra a CTEEP por R$ 1,193 bi

29 junho 19:01 2006

Em um leilão tenso e cheio de suspense, marcado pela não participação da maioria das empresas habilitadas, na manhã desta quarta-feira (28) uma estatal colombiana, que até agora só tinha negócios externos no Peru e na Bolívia, arrematou a mais rentável empresa de transmissão do Brasil, responsável por um terço da energia transmitida em todo o país. Não teve muita concorrência: das seis empresas habilitadas ao leilão, apenas duas entregaram as ofertas em envelopes fechados. E nos últimos segundos.


A estatal colombiana Interconexión Eléctrica (ISA), que entregou o envelope através da corretora Bradesco, acabou levando os 50,1% do capital votante da CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista), no leilão que continua sob suspeita e é alvo de 14 ações judiciais e de um inquérito cível público movido pelo Ministério Público Estadual.


O representante da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) bateu o martelo para a oferta de R$ 38,09 por lote de mil ações, 57,98% acima do preço mínimo oficial e por isso definido como ‘ágio’. Com o lance, a ISA arrematou os 31,341 bilhões de ações e adquiriu o controle acionário da CTEEP por R$ 1,193 bilhão. O preço inicial era de R$ 24,11 por lote de mil ações, o equivalente a R$ 758 milhões.


Só teve a concorrência da Terna Participações que, por meio da corretora Ágora, também apresentou envelope com valor de R$ 33,69 por lote de mil ações, um ‘ágio’ de 39,73%. O consórcio Makelele Participações – liderado pela CPFL Energia -, a Brascan Brasil, a Pactual Transmissão e Investimentos e a Alusa Engenharia não apresentaram propostas, apesar de terem efetuado os depósitos de garantia na tarde da última terça-feira (27).



‘Mercado atrativo’


Em entrevista à imprensa logo depois do leilão, o diretor de Estratégia Corporativa da ISA Cezar Ramirez afirmou que o governo colombiano detém 56% da companhia. Mas o Sinergia CUT apurou que um pouco mais – 59,29% – está nas mãos do governo, outros 10,68% com a Empresa Pública Medelin e outros 1,82% na Empresa de Energia Bogotá. Como as duas empresas também são estatais, o governo colombiano acaba tendo um controle total de 71,8% das ações da companhia. A matriz tem sede em Medelin, mas o diretor disse que a ISA pretende criar uma subsidiária brasileira para atuar como holding.


Falando espanhol e precisando da ajuda de um intérprete para entender as perguntas dos jornalistas, Ramirez destacou que, com a aquisição dos 13 mil quilômetros de linhas de transmissão da CTEEP, a ISA passará a ter 30 mil quilômetros de linha na América Latina. Afirmou que a companhia tenta entrar no mercado brasileiro desde 2005, considerado atrativo por abrir espaço para novas oportunidades. ‘A CTEEP foi a nossa primeira aquisição’. Deixou claro que a companhia tem intenção de ampliar sua participação em transmissão brasileira mas preferiu não revelar os números de investimentos. Apenas destacou que o Brasil tem condições de oferecer 20 mil quilômetros de linha de transmissão até 2012.


Ainda sob suspeita


Apesar da batida do martelo e da não concessão de liminares para suspender o leilão, a venda da CTEEP continua sendo questionada na Justiça. No total, são 14 ações judiciais questionando várias ilegalidades. Dirigentes do Sinergia CUT e parlamentares de oposição ao governo de São Paulo entraram com três ações populares, encabeçadas pelo deputado Sebastião Arcanjo (Tiãozinho – PT). As ações apontam ilegalidades em todo o processo e questionam principalmente o preço mínimo estabelecido pelo governo Alckmin – R$ 3,6 bilhões. Para os autores das ações, o valor mínimo deveria ser de R$ 5,6 bilhões.


O Ministério Público Federal chegou a conquistar liminar, cassada ontem, suspendendo o leilão por falta da anuência da Aneel para a venda e o Ministério Público Estadual decidiu abrir um inquérito civil público. Duas das seis empresas habilitadas também entraram com ações para adiar o leilão: Brascan e Makelele contestam a dívida originada na extinta Paulipetro que acabaram repassada para a CTEEP e o empréstimo da Eletropaulo e Eletrobras herdado pela empresa de transmissão quando incorporou a extinta EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia).    

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