‘Não podemos permitir que o retrocesso volte ao poder’, afirma Artur

29 junho 17:43 2006

Cerca de mil sindicalistas da CUT, CGTB, representantes da UNE e de movimentos de moradia, sem terra, sem teto, mulheres, negros, que fazem da Coordenação de Movimentos Sociais (CMS), realizaram na quarta-feira, dia 28 de junho, o lançamento do projeto Brasil: ‘Mais direitos para o povo, soberania e desenvolvimento’. A atividade contou com a presença do líder do movimento de moradia Gegê, que há um ano foi preso injustamente.


Os manifestantes percorreram as ruas do centro de São Paulo rumo à praça da Sé e questionaram nos seus discursos a atuação do governo do Estado de São Paulo, governado há 12 anos pelo tucanato, que não adotou as políticas públicas e sociais para combater a criminalidade e implementou um processo de privatização que dilapidou o patrimônio público e também destacaram que o governo Lula precisa aprofundar as mudanças sociais no Brasil. ‘A maioria dos jovens está sem perspectiva de vida. É urgente que se invista em políticas para essa juventude’, destaca Gustavo Petta, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).


A representante da Marcha Mundial de Mulheres, Ticiana Alburquerque Studart, destacou que o Brasil não pode aceitar a imposição dos Estados Unidos que querem implementar a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) nos países da América Latina. ‘Temos que defender a nossa liberdade e soberania, não podemos aceitar que esse modelo nefasto que destruiu o México destrua o nosso país’, comentou.


Ticiana também lembrou que é fundamental que o governo Lula continue na linha da valorização do Salário Mínimo, que tem beneficiado milhares de mulheres, e que é importante lutar contra a criminalização dos movimentos sociais.


O Brasil não merece o retrocesso


O recém-eleito presidente da CUT Nacional, Artur Henrique da Silva Santos, disse que os movimentos sociais e sindicais têm um papel fundamental nas eleições gerais do dia 3 de outubro. ‘Não podemos permitir que o retrocesso volte ao poder. Conhecemos bem o governo de FHC que, durante oito anos, implantou um processo de privatização que vendeu boa parte do nosso patrimônio público e não prestou contas desses recursos à sociedade e também não priorizou o investimento nas áreas sociais, piorando a desigualdade social. O seu sucessor, Geraldo Alckmin, significa a continuidade desse modelo fracassado’, comenta.


Artur afirma que o Brasil não merece a volta desse modelo, e agora com o presidente Lula está tendo a oportunidade de conhecer um projeto social voltado para as necessidades reais dos trabalhadores, portanto, é fundamental para o desenvolvimento do país continuar com novas mudanças.


Perguntado sobre a privatização da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP), que foi arrematada na manhã de quarta-feira em leilão na Bovespa pela estatal colombiana Interconexión Elétrica S/A, o presidente da CUT e também eletricitário criticou a postura da Justiça no Brasil. ‘Quando o Lula anunciou o aumento salarial para os servidores federais, a Justiça o acusou de fazer campanha eleitoral. Agora o governo do Estado vende a CTEEP, a maior e mais rentável empresa de energia do país, a menos de cinco meses das eleições e a Justiça fica quieta? ‘, questiona.


Cadê o dinheiro?


O sindicalista lembrou ainda que os tucanos nunca cumpriram suas promessas. Em 1995, o então governador Geraldo Alckmin presidiu o Programa Estadual de Desestatização, que autorizava a venda das empresas, e anunciou que a CTEEP não seria vendida porque era uma empresa estratégica.


Pura falácia. A desculpa agora é que o dinheiro da venda, R$ 1,1 bilhão, será utilizado para sanear parte das dívidas da Companhia Energética de São Paulo (CESP). Artur duvida: ‘Depois de 11 anos, a empresa continua endividada, portanto, o problema não será resolvido agora. FHC/Alckmin arrecadaram R$ 34 bilhões com a venda de várias empresas estratégicas e rentáveis. Pergunto: onde foi parar esse dinheiro?’.


Outra conseqüência nefasta das privatizações é o desemprego. Segundo Artur, na década de 90, as empresas estatais públicas tinham 200 mil funcionários, depois da venda para empresas estrangeiras o número caiu para 100 mil. Em São Paulo, o setor energético paulista empregava 40 mil trabalhadores e hoje são apenas 20 mil. Com a privatização da CTEEP, a redução vai continuar.


Balanço e na mira


Durante o mandato de FHC/Alckmin, foram vendidas a preço de banana as seguintes empresas públicas: Eletropaulo, AS Tietê, Duke Energy, Companhia Paulista de Energia e Luz, Elektro, Vale do Rio Doce, Bandeirantes, Metropolitana, Comgás, Banespa, Telesp e CTEEP. Estão na mira dos tucanos: Nossa Caixa (último banco público do Estado de São Paulo), Sabesp, Banco do Brasil, Petrobrás, Caixa Econômica Federal e a linha 4 do metrô (estação da Luz ao Morumbi), cuja venda será avaliada na próxima semana, no dia 4 de julho.

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