Em defesa de SP e do Brasil, contra mais um golpe tucano

30 junho 13:36 2006

Dois mundos se encontraram na manhã da última quarta-feira (28), em frente à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) pouco antes da hora marcada para o leilão da CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista), que acabou nas mãos da estatal colombiana ISA. Com dois motivos totalmente diferentes.


O cordão de isolamento formado por policiais federais só deixava passar os convidados ao leilão, a grande maioria representantes do capital privado, obviamente interessado no grande negócio que poderia fazer com a compra de uma empresa de transmissão altamente rentável.


Em frente ao prédio, sindicalistas e trabalhadores denunciavam à população as ilegalidades do governo Alckmin para entregar mais um patrimônio público do povo paulista. O ato de protesto organizado pelo Sinergia CUT contou com a participação do presidente da CUT Nacional, Artur Henrique da Silva Santos, de dirigentes da FNU/CUT (Federação Nacional dos Urbanitários) e de outras entidades.


Abrindo o ato, o vice-presidente do Sinergia CUT Wilson Marques de Almeida destacou que é preciso continuar resistindo: ‘Se não houver nenhuma decisão liminar judicial para suspender esse leilão cheio de irregularidades, vamos continuar a luta, buscando a Justiça e articulações políticas para anular os efeitos da entrega da CTEEP e impedir mais esse desmando do governo Alckmin e que continua com esse governador do PFL’.


Para Jesus Garcia, tesoureiro da FNU e dirigente do Sindicato, os tucanos continuam manobrando para entregar tudo para a iniciativa privada: ‘Dizem que o dinheiro arrecadado será investido em políticas públicas, mas não foi isso que aconteceu em nenhuma das privatizações. Todas as distribuidoras de energia já foram, parte da geração também e a CESP continua  com uma dívida cada vez maior. O que eles fazem é financiar a disputa de projeto político, fazem uma disputa político-eleitoreira’.


O presidente do Sinergia CUT Djalma de Oliveira afirmou que a população precisa refletir muito sobre o jeito tucano de governar: ‘É a população que paga o preço da privatização, fruto  do modelo neoliberal do governo tucano. Sempre dissemos que vender o patrimônio público não era a solução para os problemas de infra-estrutura do Estado. Fomos combatidos por muitos e disseram até que éramos corporativos. Mas agora a população já sabe que estávamos certos. Ficamos sem patrimônio, nada foi para a saúde ou a educação e as dívidas continuam. Precisamos tirar essa gente de lá, enquanto ainda temos alguma coisa para salvar’.


Durante o ato, o Sinergia CUT distribuiu uma Carta Aberta à População de São Paulo alertando que quem paga a conta da privatização tucana é o povo. Leia a íntegra da Carta Aberta:


‘ Em defesa de SP e do Brasil, contra mais um golpe tucano: a entrega da CTEEP


Alckmin, em sua plataforma de campanha, prometia priorizar a melhoria nas áreas da Saúde, Educação e Segurança Pública. Ao longo de sua gestão, verificamos que prática e discurso estão bem distantes… Alckmin terceirizou os serviços dos postos de saúde, acarretando a piora do atendimento à população, reduziu drasticamente os investimentos em educação, desviando autoritariamente recursos orçados para o setor, rebaixou a qualidade do ensino e arrochou os salários dos professores. Na segurança pública, o pouco caso de sua gestão gerou o ambiente propício para a instalação de uma verdadeira guerra civil, com os ataques recentes do PCC.


Suas promessas mentirosas não pararam por aí: apesar de ter enganado o povo nas eleições prometendo não mais vender estatais, o governo Alckmin procurou justificar a venda de muitas delas como forma de sanear as contas do Estado. Essa justificativa é mentirosa, uma vez que os recursos obtidos com as vendas – R$ 32,9 bilhões – sumiram no ralo dessa suspeita gestão. Para Alckmin, não bastou vender o Banespa, a Fepasa, a Ceagesp, a Eletropaulo, a Comgás, a CPFL e parte da antiga CESP com a desculpa de amortizar as dívidas do Estado. Agora, está vendendo a Companhia Transmissora de Energia Elétrica Paulista (CTEEP).


Ainda pior é a própria justificativa para a entrega da CTEEP. A desculpa do ex-governador é a necessidade de sanear a geradora CESP, mergulhada em grave crise financeira e endividada em cerca de R$ 10 bilhões. Isso aponta, no mínimo, má gestão do dinheiro público – já que ninguém sabe onde foi parar o dinheiro arrecadado com as privatizações anteriores – e oportunismo eleitoreiro do tucano agora candidato ao Palácio do Planalto, uma vez que a finalidade da venda da estatal é levantar dinheiro para sua campanha eleitoral.


As conseqüências da privatização são inquestionáveis: venda de patrimônio público a preço de banana, sede de lucro da iniciativa privada, redução de pessoal, terceirização sem fim, precarização dos processos do trabalho, falta de investimentos e queda da qualidade dos serviços e do atendimento ao público, com aumento do desemprego e das tarifas.


Desde o início do programa de privatização em São Paulo, de 1996 até 2005, as tarifas de energia elétrica tiveram o exorbitante aumento de 313,75% enquanto a inflação ficou em 103,77% (IPCA). No final, quem paga a conta da entrega do patrimônio público é o POVO!


As inúmeras ilegalidades cometidas por Alckmin para apressar a entrega da CTEEP provocaram uma avalanche de ações judiciais. O Ministério Público Federal quer apuração administrativa, civil e criminal, inclusive por atos de improbidade administrativa.


Por tudo isso, nós trabalhadores e trabalhadoras do setor energético paulista, conclamamos a população paulista a manifestar-se contrariamente à entrega desse importante patrimônio e a demonstrar toda sua indignação através do voto nas eleições gerais de outubro.


São Paulo, 28 de junho de 2006.
Sinergia CUT – Sindicato dos Energéticos do Estado de SP’

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