ISA convoca um sócio para dividir a fatura da CTEEP

10 julho 11:52 2006

Vai durar muito pouco a solidão societária da Interconexión Eléctrica (ISA) no controle da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP). Os colombianos negociarão metade das ações arrematadas no leilão da semana retrasada – 50,1% do capital ordinário da empresa.


A ISA já manteve conversações com dois candidatos a sócio – ambos são empresas brasileiras do setor de energia. As gestões estariam a cargo do BBVA, que assessorou a empresa colombiana na compra da CTEEP. A venda deverá ser concretizada logo depois da formalização da transferência das ações em poder do estado, marcada para o dia 20 deste mês. A operação terá uma condicionalidade.


O novo acionista da empresa de transmissão precisará garantir um aporte para a construção de novas linhas. Em troca, deverá ficar com uma participação minoritária em concessionárias de transmissão controladas pela ISA no Peru, Bolívia e na própria Colômbia.


A ISA quer um parceiro para compartilhar a conta da CTEEP, que pode ficar muito mais salgada. A cifra de R$ 1,19 bilhão paga na privatização saltará para mais de R$ 3 bilhões caso todos os minoritários da empresa resolvam aderir ao tag along. Há ainda um esqueleto jurídico que assusta o novo controlador da empresa. A EPTE, outra antiga estatal paulista incorporada pela CTEEP, está às voltas com um antigo contencioso.


Trata-se de uma dívida herdada do tempo em que seus ativos pertenciam à Eletropaulo. A pendência se refere a empréstimos feitos pelo Tesouro Estadual à Eletropaulo, quando a empresa ainda era estatal. O caso está no Superior Tribunal de Justiça (STJ).


Inicialmente, o passivo era da ordem de R$ 500 milhões, mas, após tantas idas e vindas na Justiça, não se sabe até que ponto este valor foi inflado pelas devidas correções. Outro fato arrefeceu o interesse da ISA em ficar sozinha no controle da operadora paulista. Os colombianos terão um período mais curto para recuperar o dinheiro investido na CTEEP, uma vez que o governo de São Paulo não conseguiu autorização da Aneel para estender o prazo de concessão de nove para 30 anos.

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