Trabalhadores da CPFL vão para o contra ataque

12 julho 15:56 2006

A ‘nova’ proposta apresentada pela CPFL Energia é uma cabeçada no estômago dos trabalhadores e vem recebendo cartão vermelho em todas as assembléias que o Sinergia CUT vem realizando nos locais de trabalho.


Para forçar a empresa a retomar a mesa de negociação, a categoria já está aprovando o Plano de Luta que começa com paralisação de meio dia na próxima semana. Caso contrário, os trabalhadores fazem paralisação de um dia na semana seguinte. A decisão é levar o time dos trabalhadores para o contra ataque, com garra e disposição para dar um show de bola.


Tudo para quebrar a intransigência dos negociadores que insistem em uma proposta ‘final’ que não atende à pauta de reivindicações da categoria. Além disso, a CPFL Energia recusou o convite do Sinergia CUT e não compareceu à reunião de negociação marcada para a manhã da última segunda-feira (10), na sede do Sindicato, e que contaria com a participação também dos sindicatos dos Engenheiros e dos Técnicos.


Com a retomada da mesa, além de dar mais uma demonstração de disposição para negociar, o Sinergia CUT pretendia demonstrar à empresa que é possível avançar tanto na proposta econômica como na prorrogação da Política de Emprego.  


Show de arrogância
Para não perder por WO,  a CPFL preferiu encaminhar carta ao Sindicato informando que entende ‘ter esgotado o ciclo de negociações, razão pela qual declina do convite’.


E ainda tomou ‘a liberdade de informar’ e estender ao Sinergia CUT ‘o contéudo da proposta unificada (?!?) como resultado da Audiência de Conciliação conduzida pelo Tribunal Regional do Trabalho no dia 07 de julho e discutida com representantes dos sindicatos presentes (?!?)’.


Proposta mascarada
A verdade é que a proposta da CPFL Energia mantém os 4% de reajuste nos salários e benefícios, inclusive vale refeição,  gratificação de férias e auxílio creche.


Mascarou uns pequenos avanços no VA e na PLR. O vale alimentação seria agora corrigido em 10% e com redução da participação dos trabalhadores da primeira faixa (até R$ 2.010,08) para 20% e dos demais para 15%.  Já a PLR seria corrigida em 4% e acrescida de um valor fixo de R$ 340 (R$ 40 a mais que na proposta anterior)  e sem incorporação ao valor de referência.


A Política de Emprego não seria prorrogada na Paulista e não seria estendida para o pessoal da Piratininga, o que mostra que quer ter liberdade total para demitir. E continua também insistindo em antecipar para agosto próximo a negociação do ano que vem. Tudo com a  cumplicidade dos sindianteros.


Emprego em risco na Piratininga
Depois de desarmar a tática da CPFL Energia, combinada com algumas entidades que fingem jogar no time dos trabalhadores, o Sinergia CUT entra em campo novamente para demonstrar que a empresa insiste em ter liberdade total para demitir.


A ‘nova proposta’ de Política de Emprego na Piratininga só muda na redação, mas não se diferencia da atual no conteúdo. A CPFL mantém a rotatividade em 1,5% para um quadro mínimo de 1090 trabalhadores. Só escreve que ‘compromete-se a não proceder desligamentos motivados por reestruturação funcional, mudanças tecnológicas e ou reorganização empresarial até 31 de maio de 2007’.  


Além de não cumprir o quadro mínimo estabelecido no atual ACT, a Piratininga continua insistindo em  demitir mais trabalhadores e perpetuar a discriminação. O Sinergia CUT faz a pergunta que não quer calar: se a proposta da empresa é não demitir arbitrariamente, por que não estender a cláusula da Paulista, equiparando a Política de Emprego para todos os trabalhadores da CPFL Energia?


Emprego em baixa na Paulista
A conquista da cláusula de Política de Emprego na Paulista aconteceu às vésperas da privatização, resultado da luta do Sinergia CUT. Ainda assim, o número de trabalhadores do quadro próprio foi reduzido drasticamente em função de vários PDVs, enquanto o número de trabalhadores terceirizados aumentou significativamente.


Acompanhe a redução do quadro próprio: em 1994 eram 7.755 trabalhadores, em 1997 totalizavam 5.558 trabalhadores, em 1998 caíram para 4.422 trabalhadores e atualmente são apenas 3.160 trabalhadores (ACT).

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