Trabalhadores protestam contra a CPFL Energia em Campinas

19 julho 18:04 2006

Para defender o emprego e pressionar a reabertura das negociações, encerradas arbitrariamente pela direção da CPFL Energia, centenas de trabalhadores da sede da empresa em Campinas participaram de manifestação de protesto na manhã desta quarta-feira (19). A data base da categoria é 1° de junho. O Sindicato participou de cinco rodadas e a proposta econômica da empresa foi de 4% de reajuste nos salários e benefícios econômicos.


Mas os trabalhadores lutam pela retomada da mesa de negociação para buscar a prorrogação do Acordo Coletivo, inclusive da cláusula de Política de Emprego que impede demissões arbitrárias.  O protesto, organizado pelo Sinergia CUT (Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de SP), faz parte do Plano de Luta aprovado pela categoria com mobilizações de até meio dia em todas as cidades do interior atendidas pela CPFL Energia.


As mobilizações começaram na última segunda-feira (17), envolvendo de trabalhadores da Paulista em Bauru, Marília, Franca, São Joaquim da Barra, São Carlos, São José do Rio Preto, Barretos, Araçatuba, Americana, Piracicaba e Itapira, além das EAs Trevo e Centro em Campinas.


Lideranças nacionais
O presidente da CUT Nacional Artur Henrique da Silva Santos, também dirigente do Sinergia CUT, participou do ato de protesto na EA Centro e destacou a importância de a empresa  romper a intransigência e voltar atrás na decisão de interromper arbitrariamente a mesa de negociação com as entidades legítimas da categoria.


O protesto desta quarta-feira (19) em Campinas contou com a presença de dirigentes do Sinergia CUT em todo estado e do deputado estadual Sebastião Arcanjo (Tiãozinho – PT), também liderança eletricitária. Falando aos trabalhadores, Tiãozinho destacou que a categoria ‘não vai cair no jogo da empresa que é o de tentar dividir os trabalhadores, seja da Paulista ou da Piratininga, seja da sede ou de outras localidades. Somos todos trabalhadores da CPFL Energia e não pode haver discriminação’. 


Para o presidente do Sindicato dos Eletricitários e vice do Sinergia CUT, Wilson Marques de Almeida, ‘é flagrante a contradição entre o discurso e a prática da CPFL, que vem assumindo práticas intransigentes, anti-sindicais e de assédio moral. Rompe unilateralmente a negociação, se ausenta de tentativas de conciliação na DRT e entra com dissídio de greve em São Paulo, desrespeitando os trabalhadores e o próprio TRT de Campinas. O Sindicato insiste na retomada de negociação para garantir o emprego dos trabalhadores e o mínimo da tranqüilidade necessária ao bom desempenho profissional’.


Assédio moral
O Sindicato afirma que, desde a última sexta-feira (14), a CPFL também vem recorrendo à condenável prática de assédio moral. Em carta individual aos trabalhadores, a empresa não só pressiona pelo comparecimento ao trabalho como ameaça adotar ‘outras medidas para garantir a continuidade dos serviços prestados’. Além disso, todas as manifestações vêm sendo filmadas pela empresa. No protesto da sede em Campinas, a empresa convocou a Polícia Militar para reforçar a segurança particular.


Para Wilson Marques, ‘a empresa está tentando intimidar a categoria e dar um caráter de greve às manifestações de protesto para forçar o julgamento do dissídio sem prorrogação da garantia de emprego, conquista de antes da privatização da empresa que é válida até 2007’.


O sindicalista informa ainda que a proposta da Elektro, outra distribuidora que tem sede em Campinas, inclui a prorrogação do ACT até 2008.  ‘Isso aoconteceu também com a  Comgás, AES Tietê e CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista), onde os trabalhadores conquistaram a garantia de emprego até 2009 antes da privatização’.

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