Acaba hoje o prazo para investidor reservar Cesp

24 julho 18:34 2006

Termina hoje o prazo de reserva de ações na oferta pública da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). A operação deve movimentar R$ 2,8 bilhões e faz parte do programa de reestruturação de dívidas da empresa geradora, que inclui ainda emissões de debêntures e de cotas de fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC).


A captação prevê a venda de R$ 1 bilhão em ações ordinárias (com direito a voto) e de R$ 1,8 bilhão em papéis preferenciais classe B (PNB, sem voto). O governo paulista, controlador da companhia, se comprometeu a ficar com R$ 1,2 bilhão – a totalidade das ações ordinárias e uma parcela das preferenciais – com os recursos obtidos na privatização da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP), no fim de junho.


Dez por cento das ações PNB serão destinadas ao varejo, às pessoas físicas e jurídicas não financeiras que podem encomendar lotes entre R$ 1 mil e R$ 300 mil. Se houver excesso de demanda, a intenção dos coordenadores, UBS e Morgan Stanley, é garantir uma parcela de R$ 5 mil por cadastro, com o rateio a partir disso.


Segundo analistas, a operação complementa o plano de reestruturação financeira da empresa. Com um endividamento total de R$ 9,9 bilhões no fim de março – sendo R$ 2,52 bilhões com vencimento em 2006 -, a previsão é de que com a capitalização e a geração de caixa próprio, o passivo encolha a R$ 6,5 bilhões neste ano.


O tamanho da dívida é um dos principais fatores de riscos mencionados no prospecto. Em contrapartida, o saneamento da geradora é tido como um primeiro passo para uma futura privatização da Cesp, o que se configuraria como um dos principais atrativos para as ações. Mas, como estatal, a companhia está sujeita aos vaivéns da política. Mudanças na administração do Estado de São Paulo podem levar a alterações na administração.


Para um analista independente, a expectativa é de que os papéis saiam com desconto de 10% em relação às cotações de mercado. O problema é que o pequeno investidor não participa da formação de preços. Nesse caso, a alternativa é o investidor definir no pedido de reserva o valor máximo que aceita para validar a proposta.


Cesp PN – que passará a ser listada como PNA – era negociada, na sexta-feira, a R$ 16,10 na Bovespa. Já as ações PNB, que ainda não estão no pregão, vão garantir o ‘tag along’, o prêmio de controle, de 100% aos minoritários no caso de venda da companhia. Com a oferta, a liquidez deve crescer também, já que haverá um acréscimo de três vezes na quantidade de ações. (AC)

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