TRT/SP recomenda negociação

24 julho 20:24 2006

Durou mais de duas horas a audiência de instrução e conciliação realizada pela Justiça do Trabalho da 2a Região, em São Paulo, na tarde desta segunda-feira (24). Mas a tentativa de conciliação foi mais uma vez frustrada pela intransigência da direção da CPFL Energia.


Vale lembrar que a audiência foi convocada porque, depois de romper unilateralmente a mesa de negociação, a CPFL entrou com dissídio coletivo de natureza econômica com rito de greve. Representando a empresa, compareceram  o negociador contratado Diogo Clemente e o advogado terceirizado Mário Gonçalves Junior, o mesmo que em audiência da semana passada afirmou que está ‘cansado e já perdeu a paciência com os trabalhadores’.


Mas novamente os representantes da CPFL se limitaram a apresentar a mesma proposta econômica já recusada pelos trabalhadores. Lamentavelmente, a intransigência continua sendo a marca registrada da holding. Ao final, a juíza recomendou esforço para chegar a um acordo na prorrogação da garantia de emprego.


Os argumentos do Sinergia CUT
Em mais uma demonstração de que está disposto a buscar uma solução negociada para a Campanha Salarial 2006, o Sinergia CUT compareceu à audiência do TRT/SP e informou à juíza que ‘não existe qualquer movimento de greve nas empresas da CPFL, apenas participação dos trabalhadores em assembléias sindicais para tentar a reabertura das negociações’.


Afirmou também que até a proposta econômica apresentada pela CPFL Energia é insuficiente, já que as empresas tiveram lucro recorde de R$ 1 bilhão, graças ao esforço, dedicação e eficiência dos trabalhadores: ‘Óbvio que dá também para melhorar os 4% de reajuste e os R$ 340 de abono na PLR’.


E levou ao conhecimento da juíza que a grande luta dos trabalhadores é a manutenção do emprego: ‘Historicamente, desde antes da privatização da CPFL,  os Acordos Coletivos têm sido renovados por mais um ano além da data de sua vigência. Como o atual ACT é válido até maio de 2007, os trabalhadores só reivindicam sua prorrogação até 31/05/2008. É por isso que o Sindicato rejeita a proposta da empresa’.


A recomendação do TRT/SP
Depois de muito debate e nenhuma boa vontade dos representantes da CPFL em negociar, e considerando que nova mesa redonda já está convocada pela SDRT (Sub Delegacia Regional do Trabalho) de Campinas para o dia 03 de agosto próximo, a juíza relatora Ivani Contini Bamante suspendeu a audiência e agendou uma nova reunião para o dia 07 de agosto.


Também recomendou que todos os sindicatos compareçam à audiência em Campinas e tentou convencer ‘as partes para que envidem esforços no sentido de chegarem a um acordo quanto à prorrogação de vigência da cláusula de estabilidade [no emprego], uma vez que este é o principal ponto de entrave da presente negociação’.

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