Manipulação da midia e democratização dos meios de comunicação em debate

26 julho 17:21 2006

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro realiza nesta quarta-feira (26), em São Paulo, um Seminário de Comunicação para debater a construção de uma grande rede sindical que se confronte às manipulações da mídia.


Na mesa de abertura desta manhã, a secretária nacional de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti, ressaltou a importância do evento, já que ‘a democratização dos meios de comunicação deixou de ser uma bandeira histórica para se transformar em questão central de sobrevivência, não só dos diferentes sindicatos e organizações, como para o próprio êxito e fortalecimento do projeto democrático-popular’.


Afinal, declarou, ‘a informação é hoje, cada vez mais, um instrumento de formação. Ou melhor, de deformação. Deformação política e ideológica da realidade, que meia dúzia de famílias tenta amoldar às suas verdades e de seus patrocinadores’.


ESTRUTURA – O grande desafio colocado para o sindicalismo cutista, sublinhou Rosane Bertotti, é aprimorar os instrumentos de comunicação como o Portal do Mundo do Trabalho, os programas de tv (ReperCUTe e TV CUT) e de rádio (Jornal dos Trabalhadores), e somar à estrutura já existente, novas publicações. Além disso, frisou, ‘é preciso articular a conformação dessa grande rede de comunicação alternativa junto com os movimentos sociais’.


O presidente da Contraf, Wagner Freitas, lembrou da ousadia que foi a criação da Revista do Brasil, recente iniciativa patrocinada por diversos sindicatos cutistas, que se soma na luta pela democratização da mídia. ‘A concentração dos meios na mão de algumas famílias é um atentado à democracia, pois constrói uma opinião nacional. Pudemos ver isso quando mentem e tentam desconstruir a imagem do presidente Lula, tentando abrir caminho para a volta do tucanato ao poder. Como militantes da democracia, temos de investir para mudar esta realidade’, acrescentou.


INTEGRAÇÃO – Para o secretário de Comunicação da CUT-SP, Daniel Reis, uma das questões centrais para o êxito do trabalho no Estado ‘é a integração das 17 subsedes regionais e dos ramos, tendo claro que o investimento no setor não é gasto, é uma estratégia que tem importante retorno político’. Na avaliação de Daniel, ‘é hora do movimento sindical ter uma comunicação de massa, que faça contraponto à mídia atual, mostrando a verdade dos fatos’.


‘Ainda mais quando a política dos governos neoliberais foi de privatizações e desmonte do patrimônio público, de sucateamento da educação e da segurança, colocando o Estado em colapso. Esta é realidade que eles não querem que apareça’, enfatizou.
Segundo o secretário nacional de Comunicação da Contraf, William Mendes, o debate é imprescindível para conformar alternativas a ditadura dos grandes meios, ‘que pelo tratamento coeso com que abordam alguns fatos, dão a eles um caráter de verdade que não têm’.


Conforme Hugo Tomé Aquino, secretário de Imprensa do Sindicato dos Bancários, o que está em pauta ‘é uma disputa ideológica, um embate de classe com os grandes impérios da mídia, controlados por famílias de latifundiários e banqueiros. Por isso precisamos de uma nova referência de mídia, que esteja ao lado dos trabalhadores na construção de uma sociedade mais humana, justa e de inclusão social’.


Além da maior integração entre dirigentes e profissionais para potencializar as ações de comunicação, os debatedores defenderam o investimento na conformação e fortalecimento de redes de rádio e televisão públicas, comunitárias e dos movimentos sociais, com financiamento para que se viabilizem.

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