CUT pressiona e BNDES quer contrapartida social

28 julho 16:29 2006

A CUT sempre cobrou que as empresas que tomam financiamento no BNDES deveriam se comprometer a, no mínimo, não promover demissões ou, ainda melhor, que gerassem empregos. A pressão começou a dar resultados práticos.


No final desta quinta-feira, 27 de julho, o BNDES anunciou a criação de uma nova linha de crédito para exportação, voltada à indústria automobilística, que estimula as empresas tomadoras de empréstimo a manterem ou ampliarem o número de trabalhadores contratados. Essa nova linha de crédito está inserida no conceito de contrapartida social, em que a CUT insiste há vários anos.


A empresa que cumprir a contrapartida vai pagar juros de 3,8% ao ano, contra os 4,5% tradicionalmente cobrados pelo banco. Outra vantagem é que a empresa poderá financiar até 55% do volume de exportações, contra os 30% permitidos às demais. A linha de crédito vale para a exportação de veículos leves.


‘É a primeira vez que o BNDES, acompanhando as reivindicações, condiciona a concessão de crédito à necessidade de manter ou gerar emprego. É uma conquista nossa’, afirmou Artur Henrique, presidente nacional da CUT, que esteve presente à audiência em que o presidente da República, Lula, e o presidente do BNDES, Demian Fiocca, anunciaram a nova linha.


‘O que queremos é que esta experiência seja o embrião de uma nova política de todos os bancos públicos. Quem empresta dinheiro público, a juros menores que os de mercado, deve exigir compromisso social de quem pega emprestado. Vamos continuar cobrando que o BNDES aplique o mesmo padrão para todos os demais setores produtivos.
E que a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e outras agências estatais de fomento façam o mesmo’, completou Artur Henrique.


Para controlar o cumprimento da cláusula de manutenção e geração de emprego, o BNDES vai monitorar o quadro de trabalhadores da empresa no 13º mês após a concessão do crédito. É nesse momento que as tomadoras começam a quitar seus débitos com o banco.
Caso seja detectada diminuição de vagas em relação aos 12 meses anteriores, o BNDES exigirá o pagamento dos juros tradicionais.


‘O BNDES não pode simplesmente proibir as empresas de promover ondas de demissões. A proibição pura e simples nem funcionaria. O que começamos a fazer, então, é tornar o recurso às demissões uma desvantagem para as empresas devedoras’, explicou Fiocca.


Também estiveram presentes à audiência o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijoó, o do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, Valmir Marques da Silva, o presidente da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, e o presidente da Anfavea, Rogélio Golfarb.

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