Trabalhadores da Tietê intensificam mobilização

28 julho 15:10 2006

Desde a última quarta-feira (26), os trabalhadores da AES Tietê participam de mobilizações nos locais de trabalho para pressionar a empresa a reabrir negociação. O Plano de Luta aprovado em assembléias da categoria prevê mobilizações gradativas que podem chegar a meio dia de protesto nos locais de trabalho. A reivindicação é que a empresa retome a mesa de negociação para garantir o fechamento de um Acordo Coletivo justo, que reflita os altíssimos lucros obtidos pela geradora em 2005.


Apesar de sempre priorizar a mesa de negociação, o Sinergia CUT entende que a implementação do Plano de Luta é a única saída dos trabalhadores para romper com a intransigência dos negociadores da Tietê que, depois de seis rodadas, insistem em manter uma proposta ‘final’ já rejeitada pela categoria. A meta é retomar a mesa para melhorar a proposta, com avanços principalmente nas reivindicações econômicas e na extinção do Banco de Horas.


Lucros exorbitantes
Campeã do setor energético em rentabilidade, a AES Tietê encerrou 2005 com lucro líquido de R$ 556,052 milhões. O resultado é 90,7% maior que o lucro líquido registrado no ano anterior.  Também em 2005,  a geradora do grupo AES foi a empresa que mais distribuiu dividendos aos acionistas, além de ser considerada a melhor empresa prestadora de serviços públicos.


E o processo de crescimento econômico da Tietê continua neste ano de 2006. No primeiro trimestre, obteve lucro líquido de R$ 152,9 milhões, ante R$ 97,137 milhões no mesmo período no ano passado, um crescimento de 57,4%.


Falta reconhecimento
Apesar de tudo isso, a AES Tietê insiste em apresentar nesta Campanha Salarial propostas que não refletem os altos lucros obtidos e que não contemplam as reivindicações dos seus 280  trabalhadores. A proposta rejeitada pelos trabalhadores na semana passada previa, entre outros itens, 4% de reajuste nos salários e um abono de R$ 450.


Além de não atender as reivindicações econômicas, a empresa ainda precariza as condições de trabalho com a implementação de um Banco de Horas inaceitável. Há registros de trabalhadores que realizam 150 horas extras no mês e só recebem o valor devido seis meses depois.


Em uma pesquisa realizada pelo Sinergia CUT nesta semana com o pessoal da AES Tietê o resultado foi revelador: 97% reprovam o programa de Banco de Horas da empresa.


Teoria X Prática
Para a direção do Sinergia CUT, ‘é esperado da AES Tietê uma radical mudança de rumo e de tratamento com os trabalhadores, os verdadeiros responsáveis pelo bom desempenho e pelos excelentes resultados obtidos. A própria AES Tietê afirma ser uma empresa preocupada em atingir a excelência em cidadania empresarial, mantendo uma relação ética e transparente com todos os públicos com as quais ela se relaciona. Que essa teoria se concretize na prática’.

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