Brasil e Bolívia realizam última rodada de negociações em meados de agosto

02 agosto 16:05 2006

País vizinho estará atento à necessidade de expansão na oferta de gás, diz ministro de Negócios da embaixada boliviana


A Petrobras e as autoridades de energia bolivianas realizarão em meados de agosto a quarta e última rodada de negociações relativas à nacionalização dos ativos da empresa na YPFB, além da revisão dos preços de suprimento do gás natural. Segundo o diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, a nova fase de negociações acontece antes do final do prazo de 45 dias, previsto nos contratos de fornecimento, antes da negociação arbitral.


Sauer ressaltou, porém, que as negociações estão sendo conduzidas de forma ‘amistosa e profissional’, e sinalizou que o caso pode não acabar no Tribunal Arbitral de Nova Iorque. ‘Há a possibilidade de prolongar o prazo de negociações. Iniciamos, em 2003, as negociações sobre o take or pay com a Bolívia, pedindo redução e as conversas nunca foram encerradas’, disse, acrescentando qua a estatal brasileira não manifestou interesse em ir à arbitragem.


Segundo Sauer, já foram realizadas duas rodadas de negociações em La Paz e outra no Rio de Janeiro, esta ocorrida na semana passada. O executivo contou que o objetivo dessas reunões é apresentar aos comitês de negociação dos dois países as realidades dos respectivos mercados de gás e eventuais impactos para cada segmento que utiliza o gás natural como insumo.


O ministro encarregado de Negócios da embaixada da Bolívia, Pedro Gumucio, destacou que as negociações tendem ao encontro de um preço adequado para os dois países. Gumucio e Sauer, que participaram do segundo dia do 7° Encontro de Negócios de Energia, em São Paulo, salientaram que a questão relativa a preços encontra-se sob sigilo definido pelo acordo de confidencialidade firmado entre os dois países.


Sauer, porém, descartou a adoção do mecanismo denominado de ‘henry hub’. A Bolívia chegou a manifestar interesse em adotar como benchmark, os valores médios previstos pelo mecanismo para o mercado spot, semelhante ao Preço de Liquidação de Diferenças do setor elétrico. O ‘henry hub’ é o preço médio definido a partir de um ponto de referência (hub) existente na cidade americana de Henry. O hub é o ponto de encontro de quatro gasodutos locais.


Interesse comercial – Gumucio afirmou ainda que a Bolívia tem interesse em continuar vendendo gás natural para o Brasil. Segundo ele, a parceria firmada entre os dois países é sólida e que a Bolívia sempre teve interesse em manter as relações comerciais. Segundo ele, em nenhum momento a Bolívia cogitou suspender o fornecimento de gás para o Brasil a partir do anúncio, feito em maio pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, da nacionalização das reservas de gás e petróleo e do aumento dos impostos para a exploração desses insumos.


Ainda de acordo com Gumucio, o país vizinho estará atento à necessidade de expansão na oferta de gás no país. A nacionalização das reservas, avaliou, não afetou os planos de comercialização de gás da Bolívia. ‘A Bolívia precisa vender o gás natural e o Brasil precisa consumir esse gás que temos’, afirmou Gumucio, acrescentando que as reservas provadas da Bolívia podem resultar no suprimento de gás ‘por pelo menos 400 ou 500 anos’.


Com relação à suspensão de investimentos na expansão do Gasoduto Brasil-Bolívia e uma eventual redução de investimentos térmicos, motivada pelo temor despertado nos investidores pelas recentes decisões, Gumucio disse que o mercado de gás é muito dinâmico e que as decisões adotadas hoje podem ser revertidas. O ministro observou ainda que a Bolívia tem interesse em participar de ações de integração energética na América do Sul, em especial através da construção do Gasoduto do Sul, que ligaria a Venezuela à Argentina. (Fábio Couto)

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