Maioria dos empregados são homens com ensino médio incompleto

09 agosto 17:10 2006

BRASÍLIA – O trabalhador brasileiro que tem a sorte de conseguir uma assinatura em sua carteira de trabalho é homem, com 35 anos de idade e ensino médio incompleto. Pelo menos foi isso o que mostrou o estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) ‘Brasil, o Estado de Uma Nação – Mercado de Trabalho, Emprego e Informalidade’, divulgado nesta quarta-feira.


Detalhadamente, o instituto mostrou que 61% dos trabalhadores brasileiros com registro são do sexo masculino, com 35,7 anos de idade, 9,3 anos de escolaridade e com tempo de emprego de 68,9 meses (aproximadamente seis anos). O grau de escolaridade médio mais elevado está no setor público, com 10,8 anos.


Hoje, o trabalhador com ensino médio ganha o dobro do salário médio daquele que não tem o diploma. Além disso, fica menos tempo desempregado, se for demitido. Esses dados contrastam com as mazelas da maioria da população. A pesquisa lembra que somente 84% das crianças concluem a 4ª série e 57% completam o ensino fundamental.


Trabalhador informal
O documento retomou a Pesquisa Economia Informal Urbana de 2003, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aponta o perfil médio do trabalhador informal: 61,3% do sexo masculino, com 27,7 anos e apenas 33,3% com segundo grau completo. Os salários médios dos informais eram, em 2003, 37,80% menores que os dos formais.


Mais da metade da força de trabalho no Brasil está inserida no setor informal, que registrou crescimento de 38,3%, em 1992, para 44,1%, em 2004 nas áreas metropolitanas. O Ipea atribui a informalidade e o desemprego, em boa medida, à legislação trabalhista, que situa o Brasil entre os países com menor flexibilidade de contratação e de demissão e com condições de emprego mais restritivas.


Desemprego
O estudo mostrou também que a taxa de desemprego aumentou de 7,2% para 9,7% da População Economicamente Ativa (PEA), entre 1992 e 2004. Nos últimos quatro anos, manteve-se razoavelmente estável em 10%. Também entre 1992 e 2004, o número de desempregados cresceu 78,4%, com maior intensidade nas área metropolitanas (95%). Na região Sul, o aumento foi de 50%. Mas em todas as demais regiões foi de aproximadamente 80%. Entre mulheres, o desemprego cresceu 107,7%, em parte decorrente do aumento da participação feminina no mercado de trabalho. Para as mulheres, a taxa de desemprego foi de 13,5% – o dobro da verificada entre os homens.


Entre os chefes de família, o desemprego cresceu 77,3% . No mesmo período, a população ocupada cresceu 28,5%, o que significou a criação de 17,5 milhões de postos de trabalhos, em termos líquidos. Esses novos postos concentraram-se nas áreas metropolitanas e também na região Norte.


Verificou-se ainda a diminuição da relevância relativa da geração de emprego industrial nas áreas metropolitanas por conta do desempenho de São Paulo, onde foi registrada a perda de 222 mil vagas de 1992 a 2004.


Choque de gestão
Por fim, o Ipea recomendou como prioridade para o governo a aplicação de um ‘choque de gestão’ no sistema de seguridade social, dada a disparidade entre os números de contribuintes e de beneficiários e do volume de recurso disponível. A seguridade, informou o levantamento, consome 31% das verbas federais e, segundo o próprio Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), aproximadamente 20% das aposentadorias e pensões são pagas indevidamente.


No ‘choque de gestão’, o Ipea sugere a unificação dos dados dos Cadastro de pessoas Físicas (CPF) e do INSS. Os dados da pesquisa advertem ainda para a tendência de envelhecimento da população brasileira nas próximas três décadas, o que acarretará uma maior sobrecarga no sistema.


Em 2030, o crescimento da população do Brasil será de 0,5%. A população estimada será de 225,3 milhões. A taxa de crescimento da População em Idade Ativa (PIA) será a metade da atual e a PIA será 81% da população total. Como resultado, cairá a participação de jovens na PIA e as empresas terão de se adaptar e flexibilizar para manter e contratar trabalhadores mais velhos. (Denise Chrispim Marin)

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