Manifestação repudia censura à Revista do Brasil

09 agosto 18:35 2006

Perseguição do PSDB-PFL não intimida sindicalistas


‘A Revista do Brasil é uma iniciativa que vem para fortalecer a democratização dos meios de comunicação, estimulando a consciência crítica, não o pensamento único do mercado, do individualismo e do consumismo, como querem o PSDB e o PFL. Aos que desejam calar a nossa voz, nós daremos a resposta intensificando a nossa palavra, fortalecendo os nossos instrumentos como a TV CUT e a rádio, ampliando a tiragem da nossa revista, que nasceu com 320 mil exemplares e iniciará 2007 com um milhão’.


Com esta afirmação, o presidente da CUT nacional, Artur Henrique da Silva Santos, conclamou as mais de 500 lideranças sindicais e populares presentes à manifestação contra a perseguição do PSDB e do PFL à Revista do Brasil, realizada no começo da tarde desta quarta-feira (9), em frente à Prefeitura de São Paulo. A apreensão do primeiro número da publicação, com o presidente Lula na capa, foi solicitada pelos dois partidos de direita e acatada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


DISPUTA – Erguendo faixas pela democratização da mídia e pirulitos com a capa da Revista do Brasil, marcada por uma tarja com a palavra censura em um dos lados, os manifestantes denunciaram a falta de escrúpulos dos ataques como resultado do desespero tucano-pefelista frente à adversidade do cenário eleitoral. No mesmo cartaz, mas do outro lado, capas das revistas Veja e Época bajulando FHC e destilando fel contra o governo Lula estampavam a lógica da política de dois pesos, duas medidas. Homens-estátua simbolizavam a Justiça, com suas balanças e espadas, mas diminuída frente à truculência de um outro personagem, o Mão Hausen, trajado a rigor com solenes vestes nazistas.
 
Segundo José Lopez Feijoó, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, membro da executiva nacional da CUT e do Conselho Editorial da Revista do Brasil, a lógica da grande imprensa é a do aniquilamento do mundo do trabalho. ‘Os meios de comunicação não podem ser exclusivos do poder econômico, lutamos para que os trabalhadores tenham instrumentos que falem a sua língua, com democracia verdadeira’, declarou.


DISPUTA – De acordo com Feijoó, ‘a elite defende o Estado mínimo, onde a saúde, a educação e a segurança existem para quem tem dinheiro. É o Estado do mercado, dos que têm como pagar. Nós queremos o Estado máximo, onde a educação e a saúde sejam públicas e o trabalho um direito’. Em razão disso está havendo a perseguição à Revista do Brasil, frisou, ‘porque temos projetos diferentes de sociedade. Eles querem uma sociedade regulada pelos que podem comprar, a nossa é dos portadores de direitos, que ninguém pode suprimir’.


O vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Audálio Dantas, ressaltou que a Constituição de 88 é clara em seu artigo 200 que ‘nenhuma lei será feita para contrariar a liberdade de informação e nenhum veículo precisará de licença para funcionar’. ‘O que está acontecendo contra a Revista do Brasil é censura, e isso nós não admitimos, ainda mais por ser uma publicação dirigida por trabalhadores’, acrescentou.


DITADURA – Representando a Agência Carta Maior, Flávio Aguiar frisou que ‘se o PSDB e o PFL entraram com recurso contra a Revista do Brasil é porque sentiram o golpe. Esta censura iníqua é da época da ditadura militar, da qual esses dois partidos se fazem herdeiros. Eles têm é medo de uma imprensa que não seja subserviente aos seus interesses’.


A questão central que está em jogo, sublinhou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Vagner Freitas, é a existência de uma imprensa livre, ‘pois informar não é ser correia de transmissão do poder econômico’. ‘A liberdade de imprensa é a democracia e não a centralização dos meios de comunicação por meia dúzia de famílias que querem construir a opinião pública com base na intolerância e da injustiça. Estamos aqui, como militantes do direito de opinião, do pluralismo, nos insurgindo contra a censura aplicada à Revista do Brasil’, enfatizou.


INVESTIMENTO – Para a secretária nacional de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti, a hora é de começar a contar a história de quem está dentro das fábricas, na agricultura, construindo o país, num processo em que a Revista do Brasil é apenas o começo. ‘A CUT não vai titubear a continuará investindo nos seus próprios canais de comunicação, fazendo a disputa do projeto de hegemonia com a sua voz’, declarou.


O presidente estadual da CUT São Paulo, Edílson de Paula, destacou a presença de companheiros das mais variadas categorias e de outros estados, como demonstração de um novo entendimento sobre a disputa em curso. ‘Esta perseguição do PSDB e do PFL se explica porque eles temem o balanço dos últimos doze anos que governaram São Paulo. Eles não querem ouvir a voz do povo, nós não queremos que volte o atraso, a censura, a repressão e a privatização’, ressaltou. (Leonardo Severo)

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