Sudeste ainda emprega mais, mas Centro-Oeste e Norte ganham destaque

09 agosto 17:06 2006

Segundo o Ipea, as maiores taxas de crescimento de postos com carteira assinada, de 62% e de 60%, respectivamente, foram nessas duas regiões


BRASÍLIA – Mais da metade do emprego formal do Brasil ainda se concentra na região Sudeste. A informação consta no estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) ‘Brasil, o Estado de Uma Nação – Mercado de Trabalho, Emprego e Informalidade’, divulgado nesta quarta-feira, que aponta, porém, uma mudança nesse quadro: as regiões Norte e Centro-Oeste indicaram as maiores taxas de crescimento de postos com carteira assinada, de 62% e de 60%, respectivamente, impulsionadas pela expansão das fronteiras agrícola e a conseqüente alavancagem da atividade comercial.


Em seu estudo, o Ipea enfatiza ainda a tendência já verificada de migração de empresas industriais do Sudeste para outras áreas – no interior ou outros Estados – estimulada pela busca de custos de produção mais baixos e por benefícios fiscais.


Embora beneficiária, em parte, da realocação de indústrias, o Nordeste concentra a maior parte dos trabalhadores – formais e informais – na zona rural. A região detém 47% dos trabalhadores na agricultura e 35% das que se ocupam de outras atividades vinculadas ao meio rural. Igualmente registra os menores salários do País.


Empresas exportadoras
O estudo ainda destaca os impactos positivos da inovação tecnológica e do comércio exterior na geração de empregos no País. Dados mostram que as empresas exportadoras contínuas empregaram um em cada grupo de dez trabalhadores com carteira assinada no período de 2000-2004. Essas empresas fizeram mais contratações do que aquelas que se restringiram ao mercado interno e mantiveram uma taxa de crescimento de empregos de 20%, em média, nos anos seguintes ao início dos embarques ao exterior.


Empresas exportadoras também pagaram salários 24,7% maiores que as não exportadoras no período. ‘O maior grau de internacionalização da economia brasileira pode ser considerado como uma das causas para as transformações no mercado de trabalho no período recente’, afirma o estudo.


De acordo com o estudo, as empresas com mais de 500 funcionários que investiram na inovação tecnológica aumentaram em 29% a oferta de empregos, entre 2000 e 2004. Contrariaram, portanto, a velha máxima de que a inovação produz desemprego. Empresas que inovam, indica o Ipea, pagam salários 12,07% superiores ao da indústria. Na segmentação das indústrias por origem de capital, as indústrias multinacionais foram as campeãs em remuneração, com salários 38,3% maiores que os concedidos por firmas idênticas, de capital nacional, para as mesmas funções. (Denise Chrispim Marin)

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