Reajustes salariais têm melhor 1º semestre desde 1996

17 agosto 16:07 2006

SÃO PAULO (Reuters) – Inflação baixa e boas perspectivas econômicas para 2006 contribuíram para que as negociações de reajuste salarial tivessem no primeiro semestre o melhor resultado para esse período desde o início da pesquisa do Dieese, em 1996.


Os dados são mais uma notícia positiva para o mercado interno, que vem sendo estimulado pela queda do desemprego, aumento do salário mínimo e maiores gastos do governo em um ano eleitoral.
Das 271 negociações pesquisadas, 82% obtiveram reajuste superior ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado nos 12 meses anteriores à data-base e 14% tiveram reajustes iguais à inflação, segundo a sondagem divulgada nesta quinta-feira.


‘A queda dos patamares inflacionários, a expectativa de um desempenho econômico estável neste ano e o esforço das centrais sindicais influenciaram’, disse José Silvestre, supervisor do Escritório Regional de São Paulo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese).


A inflação passou de pouco mais de 5% nos 12 meses anteriores à data-base, ressaltou o estudo.
Em 2005, 85% dos reajustes ficaram acima ou no mesmo nível da inflação.
‘A conjuntura econômica coloca o salário real médio em um patamar bastante razoável em meio a um ambiente de inflação baixa’, afirmou Ademir Figueiredo, coordenador de desenvolvimento e estudos do Dieese.


Este foi o terceiro ano seguido em que o percentual de reajustes que conseguiram superar ou igualar a inflação ficou acima de 50%. O comércio foi o setor que mais obteve reajustes superiores à inflação -91%. Na indústria, a parcela foi de 84%, e, no setor de serviços, foi de 77%.


Segundo João Carlos Gonçalves, presidente da Força Sindical, o bom resultado no comércio deve-se ao forte mercado interno. ‘O aumento do (salário) mínimo elevou o consumo, e esse maior consumo melhorou as condições de negociação no comércio’, disse.


Outro dado positivo da pesquisa foi a disseminação dos reajustes acima da inflação em todas as regiões do país.
A sondagem mostrou ainda que 97% dos reajustes do primeiro semestre foram pagos de uma vez só.


Centrais festejam, mas querem mais
As centrais sindicais presentes na divulgação dos dados afirmaram a jornalistas que os números são bastante positivos, mas ainda não os ideais. Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), disse que é preciso iniciar um debate sobre os lucros das empresas para que o trabalhador tenha um ganho maior.


Citando um estudo do Dieese que mostra que 78% dos brasileiros recebem até dois salários mínimos, o presidente da Força Sindical, afirmou que uma recomposição de 5% nesse caso -como obtiveram algumas categorias segundo a inflação- resultaria em um ganho de, no máximo, R$ 35.


Ele prevê que o quadro do primeiro semestre deva inspirar reajustes favoráveis também no segundo, quando a inflação deve continuar sob controle. No segundo semestre, concentram-se as datas-base de setores como metalúrgicos, químicos, financeiro, Correios, comércio, petroleiro, alimentício e têxtil. (Vanessa Stelzer)

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