Rentabilidade de elétricas aumenta perspectiva de pagamento de dividendos

25 agosto 16:43 2006

Gestores de fundos e analistas destacam atuação da AES Tietê, Cemig e CPFL. Segundo Economática, Celpe e Coelce também são boas pagadoras


O resultado das empresas do setor elétrico no primeiro semestre mostram que, no longo prazo, as companhias do setor continuarão pagando bons dividendos aos acionistas. Segundo os analistas e gestores consultados pela Agência CanalEnergia, a dinâmica interna do setor e a perspectiva de crescimento econômico do país no segundo semestre oferecem um cenário positivo em termos de dividend-yeld, fazendo das companhias da área de energia elétrica uma excelente opção de investimento.


Na avaliação do gestor de renda variável do Unibanco Asset Management, Welber Brito, empresas como a AES Tietê e Cemig são alguns dos destaques em termos de distribuição de dividendos. Ele lembra, no entanto, que com o esperado crescimento econômico do país, novas empresas do setor podem se mostrar como investimentos promissores. ‘O resultado do segundo trimestre mostra que as empresas continuarão distribuindo bem seus dividendos’, diz.


Segundo Brito, investimentos em fundos de dividendos, que possuem grande participação de empresas do setor elétrico, não têm tanta volatilidade. ‘Eles são indicados para quem deseja investir em renda variável de forma diversificada e busca uma rentabilidade interessante’, diz. Atualmente, segundo Brito, as empresas do setor elétrico representam cerca de 15% da carteira do fundo de dividendos no banco.


Para o gerente de divisão de fundos de ações da BB Administração de Ativos, Rubens Monteiro, o desempenho das empresas do setor elétrico em termos de distribuição de dividendos é compatível com o desempenho do setor no Ibovespa, atualmente calculado em 9,6%. Segundo ele, a própria dinâmica das companhias de geração, transmissão e distribuição de energia, que possuem um fluxo de recebimento previsível, facilita a previsão dos analistas em termos de dividendos.


‘É possível prever a receita dessas empresas e se o investimento futuro será ou não elevado’, diz, destacando que, por isso, é mais fácil analisar se as elétricas irão distribuir dividendos. Na recomendação de Monteiro, este tipo de fundo é indicado aos investidores que querem correr o risco da bolsa, mas procuram empresas mais maduras e que distribuem lucros com regularidade. ‘Nós procuramos empresas com payout alto e que não precisam de tanto investimento’, acrescenta.


A boa distribuição de dividendos pelas empresas do setor fez com que fundos como o FI Caixa Ações Dividendos, da Caixa Econômica, alocasse para o setor de energia 15% do seu patrimônio médio anual, calculado em R$ 31 milhões. Segundo o gerente nacional de renda variável do banco, Alessandro Toledo Cruzolini, as ações dividendos do setor de energia elétrica contribuíram com 0,86% do resultado total do fundo.


Bons pagadores – O executivo destaca a participação de empresas como a Cemig, Copel, Eletrobrás e CPFL, entre as companhias com desempenho positivo e boa representatividade no fundo. Em relação à carteira, Cruzolini diz que, a princípio, a proporção das empresas deverá ser mantida. ‘Em função da previsão de crescimento econômico do país, que irá impactar no aumento do consumo de energia, acreditamos que geradoras como a AES Tietê possam ter um potencial interessante’, adianta, acrescentando que as elétricas representam quase 25% do total de dividendos recebidos pela carteira.


Para o analista da Ágora Corretora, Marco Melo, algumas variáveis como a valorização do real frente ao dólar e a melhora do nível de governança corporativa das empresas do setor são alguns dos fatores que explicam o bom desempenho contábil e, conseqüentemente, a perspectiva positiva de distribuição de dividendos. Como exemplo, Melo cita a CPFL Energia, que, segundo ele, distribuiu praticamente 100% do lucro semestral em dividendos.


De acordo com Melo, a CPFL é uma grande pagadora de dividendos para 2006 e 2007. Segundo ele, o dividendo-preço da companhia para este ano e o ano que vem é de 10%, enquanto que a média brasileira é de 4,8% para 2006 e 5,5% para 2007.


Um levantamento feito pela Economática mostra que Cemig, Celpe e Coelce vêm apresentado um bom desempenho em termos de distribuição de dividendos este ano. Os títulos PN da Celpe, por exemplo, pagaram, até agora, o equivalente a um dividend-yeld de 16,4%, contra 11,5% de 2005, enquanto que Coelce ON, pagou 11,6%, contra 11,5% do ano passado. Já as ações Cemig ON e PN, por exemplo, pagaram, respectivamente, 12,3% e 9,9% este ano, contra os respectivos 7,4% e 6,5% do ano anterior.


Os dividendos são uma parcela do lucro que as companhias de capital aberto têm de repassar obrigatoriamente aos seus acionistas. Por lei, no mínimo 25% do lucro líquido da empresa é creditado aos acionistas via dividendos. A CPFL, por exemplo, determinou, em seu estatuto, a distribuição de, no mínimo, 50% do seus lucros em dividendos. (Juliana Lanzarini)

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