Bauru: Ministério do Trabalho pune Usina por trabalho escravo

31 agosto 18:18 2006

Uma fiscalização do Ministério do Trabalho e da Subdelegacia Regional do Trabalho de Bauru, realizada no último dia 21, constatou que 31 trabalhadores rurais trabalhavam em condições subumanas no canavial de Pederneiras, na região de Bauru – 390 Km de São Paulo.


Os auditores autuaram a Usina São José, ligada ao Grupo Zillo Lorenzetti, por manter os cortadores de cana-de-açúcar — migrantes dos estados de Minas Gerais e Bahia – em trabalho escravo.
 
A vistoria é resultado de denúncia de uma vítima que relatou ao Ministério Público que a empresa BR Prestadora de Serviços intermediava a contratação dos canavieiros para a Usina.


A Subsede da CUT em Bauru acompanhou todo o processo e prestou apoio aos trabalhadores. ‘As condições dos canavieiros eram um verdadeiro atentado aos direitos humanos. Eles ficavam alojados em cômodos minúsculos e dormiam em colchonetes no chão. Além disso, trabalhavam até dez horas por dia, mas como eram obrigados a pagar pela alimentação e estadia, ganhavam em torno de R$ 30 a R$ 40 mensais’, relata Eduardo Porfírio, o ”Polaco”, coordenador da Subsede na região.


Punição
Como punição à prática criminosa do trabalho escravo, o Ministério e a Subdelegacia Regional determinaram que a Usina cumpra a lei e quite as verbas rescisórias, como fundo de garantia, férias e 13º salário, e pague as diárias de alimentação e transporte até as cidades de origens dos cortadores de cana.


Dados da Sessão de Fiscalização do Trabalho ligada à DRT de São Paulo revelam que a cultura de cana é recordista em irregularidades. Durante ações fiscais realizadas de janeiro a julho deste ano 1.168 mil trabalhadores foram encontrados nesta situação. Desse total, nas propriedades rurais de Pederneiras foram 430.

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