Metalúrgicos do ABC: greve para garantir emprego

31 agosto 18:15 2006

Os trabalhadores da unidade da Volks em São Bernardo do Campo (SP) decidiram em assembléia nesta terça-feira (29) entrar em greve por tempo indeterminado devido ao início das demissões promovidas pela empresa, que pretende cortar 3.600 dos 12,4 mil postos de trabalho atuais. Para alcançar seu objetivo, a direção da Volks chantageou trabalhadores e o Sindicato, ameaçando fechar a fábrica caso não as demissões não fossem aceitas. Os trabalhadores da empresa têm estabilidade até 21 de novembro, mas começaram a receber as cartas de demissão.


A assembléia decidiu que os trabalhadores do turno da tarde (que inicia às 14h) entrariam na fábrica, mas não iriam trabalhar. Desde que a empresa anunciou seu plano de reestruturação, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC tenta negociar para não haver impacto nos empregos. As conversas chegaram até o governo, que, por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) condicionou a concessão de um empréstimo de cerca de R$ 500 milhões ao fechamento de acordo entre trabalhadores e empresa. A direção da Volks não atendeu e o banco suspendeu o empréstimo. Para o presidente do Sindicato, José Lopez Feijóo, pela primeira vez que o banco tomou a decisão correta.


O presidente da CUT nacional, Artur Henrique, lembra que na Campanha Unificada, que a Central lançou este mês, consta a proposta de se exigir nos empréstimos e investimentos públicos voltados a atividades privadas, de contrapartidas sociais. ‘A mais importante das contrapartidas exige da empresa tomadora de empréstimo em bancos públicos, no mínimo, a manutenção do nível de emprego registrado quando da assinatura do contrato ou, ainda melhor, a geração de vagas’, explica Artur.


Plano caracu – Segundo estimativas do Sindicato, cerca de 1.800 trabalhadores já receberam aviso de demissão; a empresa oferece para esses trabalhadores um bônus de 0,4 salário para cada ano trabalhado na Volks, valor que o Sindicato e os trabalhadores não aceitam.


Para os que permanecerem, a empresa impões uma série de condições, entre elas:
– Mudanças no banco de horas (não pagar nada aos que fizessem até 200 horas extras em um ano e só pagar hora cheia para quem trabalhar mais de 400 horas acima da jornada);
– Quem cometer erro na produção terá de trabalhar até oito horas por semana, sem remuneração;
– O desconto do plano de saúde passa de 1% para 3% do salário;
– Os novos contratados terão uma redução média de 35% dos salários.


A greve dos trabalhadores da Volks tem toda a solidariedade da CUT. Em um momento em que o país vive a retomada do crescimento econômico, mesmo que de maneira ainda tímida, e da geração de empregos, não é admissível que uma importante empresa como a Volks apresente um plano de demissão dessa envergadura e não demonstre a mínima sensibilidade social. Se forem cortados esses 3.600 empregos diretos, a repercussão será de pelo dez vezes na cadeia produtiva, ou seja, cerca de 35 mil trabalhadores correm risco de perder emprego.

  Categorias: