Revista Observatório Social é apreendida por determinação de juíza

31 agosto 18:13 2006

Revista Observatório Social é apreendida por determinação de juíza
A revista Observatório Social nº 9, publicação do Instituto Observatório Social, foi apreendida no dia 15/08 por determinação judicial. O Ministério Público de Minas Gerais moveu ação civil pública contra a publicação por conta de uma reportagem que denunciava o trabalho infantil na extração da rocha de talco em Mata dos Palmitos, região de Ouro Preto. Segundo os promotores, a matéria fora forjada e que as fotos publicadas estariam ‘expondo as crianças da localidade indevidamente como exploradas nas minas de talco.’


A juíza Lúcia de Fátima Magalhães Albuquerque Silva acatou a ação e determinou a apreensão das revistas além da retirada das fotos das crianças que estavam publicadas no site do Observatório. O Observatório vai entrar com recurso para derrubar a decisão, informou o coordenador de Comunicação do Instituto, Marques Casara.


Casara e o repórter fotográfico Sérgio Vignes foram autores da matéria em questão e reafirmam a autenticidade do material apurado durante quatro meses em Minas Gerais. E a ação do MP mineiro coloca em xeque a postura ética dos dois profissionais, além do próprio veículo, mas não questiona a denúncia do trabalho infantil.


‘Fatos como este são preocupantes. O Ministério Público não só questiona a credibilidade da imprensa como também aponta para o risco de que a Justiça ao agir de forma intempestiva e sem respeitar os critérios de cidadania e de direito social, termine beneficiando àqueles que exploram os cidadãos e manipulam a opinião pública’, comentou o presidente do SJSP, Guto Camargo. ‘Todo ato que viola frontalmente a liberdade de expressão e o princípio social do jornalista é inaceitável’, conclui.


O presidente da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), Sérgio Murillo de Andrade também condenou o ato arbitrário, segundo nota publicada pela Federação. 

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