Energia: com FHC, 12 milhões de excluídos setor elétrico

06 setembro 17:05 2006

A privatização em massa do setor elétrico durante o governo FHC transferiu para o capital privado de origem estrangeira as companhias de distribuição e transformou a energia elétrica de bem social em bem de consumo.


O preço nominal das tarifas aumentou quase quatro vezes, em relação ao praticado dez anos antes. Os balanços destas companhias publicados nos jornais indicam as razões da disparidade. Apenas 9% do valor adicionado de uma empresa de distribuição de energia elétrica são para despesa com pessoal e administradores. Ou seja, 91% do valor adicionado referem-se a juros e dividendos.


Com isso, milhões brasileiros continuaram excluídos dos benefícios da luz elétrica. Apenas em 1999, quando todo o sistema já estava privatizado, FHC lançou o Programa Nacional de Eletrificação ‘Luz no Campo’. Mas os resultados foram pífios.


Em 2000, o IBGE apontava que existiam 2,1 milhão de domicílios sem acesso a energia elétrica na área rural brasileira, cerca de 8 milhões de pessoas. Quando FHC deixou o governo, a estimativa era a de que este número já chegava a cerca 3 milhões de domicílios, mais de 10 milhões de pessoas. Cerca de 68% destas famílias têm renda inferior a dois salários mínimos, estão abaixo da linha de pobreza e não têm recursos para gerar energia a óleo diesel. A estes, somam-se outros 2 milhões de excluídos que vivem em áreas urbanas e que não foram beneficiados pelo programa.


O ‘Luz no Campo’ prometia ligar um milhão de domicílios em três anos, mas em novembro de 2002 atingira apenas 480 mil, menos de 2 milhões de pessoas. E, deste total, uma parte irrisória das instalações foi feita no Nordeste do país, uma das regiões mais necessitadas. A justificativa para este resultado pífio foi a queda de receita das concessionárias, em decorrência do racionamento provocado pelo apagão. Em outras palavras, o puro e simples resultado da incompetência da gestão tucana no setor.


Nos assentamentos rurais, a situação era ainda mais dramática. Segundo dados do Incra, no final de 2001, pouco mais de 8 mil das 73.754 famílias assentadas haviam sido atendidas pelo programa.

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