‘Proposta de banqueiros é indecente’ afirma presidente da CUT/SP

29 setembro 18:17 2006

A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou em negociação com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região uma proposta que, além de ser insuficiente, é indecente.


Os banqueiros querem pagar míseros 2% de reajuste salarial, valor que sequer cobre a inflação do período da data-base da categoria, setembro, de 2,87%, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 80% do salário e mais R$ 816%. Além disso, R$ 500 para os trabalhadores de instituições que tiveram crescimento de 25% do lucro líquido, em relação ao ano passado.


Tal proposta é um absurdo e uma vergonha para um setor que vem batendo recordes de lucros. Estudo do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração mostra que os maiores bancos do país elevaram suas receitas em R$ 11,5 bilhões somente nos últimos quatro anos, um crescimento de 132,5%.


Vale destacar que o ótimo resultado foi obtido graças ao trabalho e esforço dos seus funcionários e também da cobrança escorchante das tarifas pagas pelos seus clientes — que hoje representam 40% da receita total da prestação de serviços.


Ao longo da Campanha, o Comando Nacional dos Bancários e o Sindicato de São Paulo, Osasco e Região tiveram um papel fundamental na organização e mobilização da categoria, que realizou várias paralisações no dia 27 de setembro, ações que pressionaram os banqueiros a abrir um processo de negociação.


É justa e merecida a proposta dos bancários, de aumento real nos salários de 7,05%, além de reposição da inflação e participação maior nos lucros e resultados.
A CUT/SP vai apoiar a decisão dos trabalhadores que na próxima semana, dia 4 de outubro, decidirá pela greve por tempo indeterminado, caso os banqueiros não melhorem a proposta.
Em defesa dos seus interesses, vamos orientar todos os nossos sindicatos filiados no Estado a prestar solidariedade e também a se engajar na luta.


É admissível que os banqueiros mantenham essa proposta, não garantindo nem o aumento real, que vai na contramão dos acordos coletivos fechados no 1º semestre deste ano, nos quais 82% (222 categorias) conquistaram reajustes acima da inflação – melhor desempenho registrado nos últimos 10 anos.


O interessante é que, muitas dessas categorias, não tiveram lucros tão elevados quanto o dos bancos, portanto, os banqueiros não têm razões, principalmente, financeiras, para não atender às reivindicações da categoria.

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