‘Mobilização e campanha de rua para eleger o melhor projeto’

02 outubro 16:16 2006

O presidente nacional da CUT Artur Henrique afirma que o segundo turno nas eleições presidenciais deve levar a militância às ruas com vigor e convicção ainda maiores. ‘Todos nós temos claro quais são os projetos de Brasil em disputa nesta eleição. Há uma diferença enorme de como cada candidato imagina que o país deve ser dirigido’, afirma Artur. ‘Vamos nos mobilizar, fazer mais campanha de rua, dialogar com nossas bases para garantir a manutenção do processo de mudanças representado pelo atual governo federal’.


‘O PSDB, junto com seu irmão PFL, já demonstraram o caráter e os ideais que têm. Do lado do PFL estão os mais antigos coronéis, que sempre se utilizaram da pobreza das parcelas mais carentes da população para enriquecer e fazer demagogia. Suas famílias se aproveitaram ao longo dos séculos dos imensos recursos transferidos para combater a pobreza e jamais fizeram qualquer coisa consistente para resolver o problema’, comenta Artur.


‘Do lado do PSDB, falsos intelectuais e pessoas bem vestidas, com discurso moralista, que comandaram o desmonte da máquina pública, destruindo hospitais, escolas, rodovias, desmantelando as forças de segurança e vendendo o patrimônio construído pelo povo brasileiro a preço de banana’, comenta o presidente. ‘De positivo para a população, que podia apenas acompanhar à distância o que essas pessoas decidiam em seus gabinetes, nada. Nada mesmo’, completa.


Resposta popular – Para ele, os resultados eleitorais em todo o Norte e Nordeste são uma resposta clara da população ao primeiro grupo, representado pelos coronéis do PFL. ‘O povo sabe que a pobreza e a seca não se resolvem com romarias ou promessas de campanha, mas com atitudes concretas como a abertura de cisternas, a chegada da energia elétrica em regiões onde só se podia ouvir rádio de pilha, e com a consolidação de programas como o Bolsa-Família’, afirma. ‘E veja só, alguns são programas simples, mas que nunca foram realizados na história brasileira. Por isso, são revolucionários’.


‘Quanto ao Bolsa-Família, quero dizer que se trata de um programa consistente, pois vincula seu recebimento à presença das crianças na escola e está vinculado a ações de mudança estrutural das regiões. Quem diz que é esmola é porque nunca conheceu a pobreza e ainda por cima é insensível a ela. E quem fica dizendo que o programa não está dando certo, como determinados jornalistas e a oposição, mente. Mente de propósito, pois nunca tentou fazer algo semelhante e sabe que essas mudanças levam tempo. Não tenho dúvida de que se eles tivessem oportunidade, se aproveitariam dessa mentira que estão contando para desmontar todos os projetos de mudança que acompanham o Bolsa-Família e, aí sim, manteriam esse benefício apenas como esmola’, analisa o presidente da CUT.
 
‘É fácil para o candidato do PSDB dizer que vai continuar com o Bolsa-Família, porque, como o partido dele já está fazendo na capital de São Paulo com projetos como o Renda Cidadã e os CEUs, é possível manter o programa no começo do mandato e ir esvaziando devagar, até que desapareça ou perca seu caráter transformador sem que a maior parte da população tenha condições de reagir. Então, apela-se novamente para programas como distribuição de saquinhos de leite, que é uma das ”jóias” da coroa dos programas que o governo do Estado de São Paulo tem coragem de chamar de ”sociais”’, analisa Artur.


Projeto claro – Na opinião do presidente da CUT, esse tipo de estratégia utilizada pelo PSDB e seus cardeais têm o objetivo de confundir o eleitorado, através da tentativa de esconder que a origem de mudanças positivas na vida da população mais carente depende de projeto político bem definido e claro. ‘Projeto que eles não têm e que nunca aplicaram nas inúmeras oportunidades que tiveram de comandar o país e diversos estados e municípios. Então, como a população já identificou a importância de programas sociais e já sabe que são possíveis de existir, o PSDB e o PFL mantém apenas as características mais imediatas e visíveis dos projetos e desmontam o que há de permanente e transformador e depois posam de ”bonzinhos”’.


Para exemplificar ainda melhor como funciona essa estratégia, Artur recorre ao CEUs (Centros Educacionais Unificados) na capital paulista: ‘É claro que eles não podiam fechar ou destruir os CEUs que já existem. Mas eles vão tirando de lá os professores de artes plásticas, de música, de educação física e com isso vão desmontando os instrumentos que podem gerar transformações permanentes no nível de vida e de conscientização das futuras gerações. Eles apostam na alienação’.


Quanto às possibilidades de ampliar a diferença no primeiro turno e garantir a eleição, Artur é otimista. ‘O Rio Grande do Sul é um excelente exemplo de como essa dianteira será ampliada. O segundo turno foi garantido, deixando para trás o governador em exercício e praticamente empatando com a candidatura favorita. O segredo é o debate político, é ir para as ruas e argumentar com as pessoas sobre esses e outros pontos’, diz.


Artur não se furta a comentar erros cometidos que ajudaram a oposição, que tinha uma candidatura presidencial combalida, a conquistar um segundo turno. ‘Ainda falta apurar muitas coisas, mas já está claro que não foram apenas gestos de estupidez e prepotência sem o conhecimento do presidente, mas práticas que sempre lutamos para banir do cenário. Mas até nisso há elementos que mostram as diferenças brutais entre as duas candidaturas. No governo anterior e no próprio governo estadual de São Paulo, a prática corrente sempre foi a operação-abafa. No entanto, no atual governo, as CPIs e as investigações policiais não são impedidas’, conclui.

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