Todo apoio à greve nacional dos bancários

05 outubro 18:35 2006

São Paulo – Os bancários estão saindo em passeata pela rua Líbero Badaró pelas ruas do Centro, finalizando o primeiro dia de greve por tempo indeterminado com uma assembléia. Antes, o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, e a secretária-geral, Juvandia Moreira, deram o balanço do primeiro dia de greve em São Paulo, Osasco e Região.


No primeiro dia, cerca de 40% da categoria aderiu à paralisação em São Paulo. No Brasil, segundo números da Contraf-CUT, que comanda 108 sindicatos em todo o país, 190 mil cruzaram os braços.


Os bancários fizeram nesta quinta-feira, dia 5, o primeiro dia de greve por tempo indeterminado. No quarto balanço feito pelo Sindicato, às 16h30, foi apurado que no primeiro dia de greve mais de 39 mil bancários permaneceram parados em 517 locais de trabalho entre agências e centros administrativos. São 91 locais parados no Centro, 45 na região da Paulista, 145 na Zona Leste, 74 na Zona Oeste, 43 na Zona Sul, 50 na Zona Norte e 69 na região de Osasco.


No final da tarde, os trabalhadores saíram em passeata pelas ruas do Centro. Antes, na avenida São João, os bancários votaram a favor da continuidade da greve. Nesta sexta-feira, dia 6, eles fazem nova assembléia, desta vez na Quadra dos Bancários. A greve foi aprovada por unanimidade por mais de 1.300 trabalhadores que foram à Quadra nesta quarta-feira, dia 4.


Em São Paulo, Osasco e nos 15 municípios da região de Osasco que estão na base territorial do Sindicato, há cerca de 3 mil locais de trabalho e 106 mil bancários. As cenas de violência, que infelizmente já se tornaram tradição durante a greve os bancários, já começam a acontecer.


No Centro, em frente ao ABN Real da rua 15 de Novembro e no Unibanco da Praça do Patriarca a Polícia Militar ameaçou os manifestantes. O Sindicato já manteve contato com o Comando da PM solicitando que os policiais se limitem a garantir a segurança dos cidadãos.


E de acordo com a Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), cerca de 190 mil aderiram à greve em todo o país. A entidade representa 108 sindicatos em 24 estados e no Distrito Federal e representam mais de 95% bancários.


Proposta – Os trabalhadores rejeitaram a proposta da Fenaban de 2,85% de reajuste salarial (e sobre as demais verbas) e a PLR de 80% do salário, mais R$ 823 de parte fixa, além de um adicional de R$ 750 para os bancários de instituições que tiverem crescimento de 20% do lucro líquido, ou mais, em relação ao ano passado.


‘A parcela adicional da PLR é muita baixa e como seu pagamento está condicionado ao crescimento do lucro é discriminatório, pois muitos bancários deixarão de receber’, acrescenta Marcolino.


Vaias – Assim como aconteceu no Bradesco e no Unibanco, os bancários deram uma vaia quando passaram pela Fenaban. Antes, um oficial de Justiça, a mando do Bradesco, tentou fazer funcionar à força o complexo do banco em Alphaville, via interdito proibitório, mas recebeu uma tremenda vaia dos bancários. A mesma reação tiveram os bancários do Centro Administrativo Unibanco (CAU), em Osasco. A categoria repudia o uso da força para impedir o direito dos trabalhadores.


‘O Bradesco é um dos campeões da truculência e tenta desesperadamente acabar com a mobilização dos bancários. Os trabalhadores mostraram consciência e união contra a exploração dos banqueiros. Que este exemplo sirva a todos’, disse o diretor do Sindicato, Ricardo Corrêa.


Leia a nota oficial da CUT/SP sobre a greve nacional que começou nesta quinta


‘A CUT/SP manifesta apoio incondicional à paralisação iniciada nesta quinta, dia 5 de outubro, dos trabalhadores bancários no Estado de São Paulo.
 
A greve é legítima e a categoria está no seu direito, assegurado pela Constituição Federal, de suspender as suas atividades para exigir melhorias na proposta salarial oferecida pelo setor financeiro, que só quer pagar míseros 2,85% de reposição salarial e participação nos lucros e resultados (PLR) de 80% do salário; além de um adicional de R$ 750 para os bancários de instituições que tiverem crescimento de 20% do lucro líquido ou mais.


Ressaltamos que, além de indecente, essa proposta é absurda para um setor que teve crescimento de mais de 40% de lucro em um ano e, portanto, se recusa a pagar aumento real reivindicado pelos trabalhadores de 7,05%, além de reposição da inflação e participação maior nos lucros e resultados.


Afinal, o excelente resultado dos altos lucros é fruto do trabalho e esforço dos seus funcionários e também da cobrança escorchante das tarifas pagas pelos seus clientes. Portanto, a reivindicação dos bancários é justa e merecida e os banqueiros não têm razões, principalmente, financeiras para não atender às suas reivindicações.
 
Deixamos claro que repudiaremos quaisquer atos de violência praticados contra os trabalhadores em greve, e caso aconteçam tomaremos as medidas necessárias para defender seus direitos.


Reforçamos nosso total apoio e já orientamos os nossos 330 sindicatos filiados no Estado de São Paulo a prestar ampla solidariedade à luta dos trabalhadores.


Edílson de Paula, presidente da CUT/SP’


 

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