Debate mostra o lado dos candidatos

10 outubro 17:21 2006

O DNA É O MESMO!


Privatização, Corte no social, Alca, engavetamento de CPIs, apagão e PCC. O DNA de Alckmin é o mesmo de FHC. Um eventual governo seu seria cópia fiel dos oito anos do PSDB/PFL e dos 12 anos em São Paulo. Tudo isso ficou patente no debate de domingo.


O debate de domingo pela Rede Bandeirantes mostrou os lados de cada um dos candidatos à Presidência da República. O presidente Lula defendeu a presença do Estado na economia; o fim das privatizações; apuração das denúncias de corrupção; mais investimento público em saúde; saneamento e políticas sociais voltadas à população. Alckmin está do outro lado. Quer dar o choque de gestão na administração federal, que significa enxugar o Estado e deixar o mercado tomando conta de nossas vidas. Veja as posições de cada um.


Privatização


Lula denunciou que é prática do PSDB fazer dívidas e depois vender o patrimônio público e aumentar impostos para pagar as contas. Foi o que aconteceu com a Eletropaulo, o Banespa, a Vale do Rio Doce, empresas de energia elétrica, ferrovias, estradas e muitas outras. ‘Quando não tiver mais nada para vender, vocês vão vender a Floresta Amazônica?’, perguntou o presidente. ‘Onde foi parar o dinheiro de todas essas privatizações’, insistiu Lula. O próprio Alckmin privatizou recentemente a última empresa de transmissão elétrica de São Paulo e a linha 4 do Metrô. Por conta do período eleitoral, seu sucessor, Claudio Lembo, teve que voltar atrás na privatização de parte da NossaCaixa.
Alckmin tentou dizer que não vai vender nenhuma estatal, mas todo o mundo sabe que é uma constante dos governos do PSDB privatizar o patrimônio público. Tanto que sua coligação anunciou a venda de empresas estatais no horário político.


Corrupção


Lula disse que a diferença entre o governo dele e o governo do PSDB é que vai mandar prender todos os envolvidos em escândalos de corrupção, não importando quem seja.
Lembrou que neste governo todas as denúncias são investigadas e não varridas debaixo do tapete como ocorria com FHC, quando começaram todos os escândalos que estão estourando hoje. Lula salientou que Alckmin impediu a instalação de 69 CPIs que pretendiam investigar o governo de São Paulo na Assembléia Legislativa. Recordou ainda a compra de votos com FHC, o envolvimento do tucano Barjas Negri com a máfia dos sanguessugas e muitas outras maracutaias.
Alckmin não se comprometeu a fazer qualquer apuração das denúncias contra seu governo e defendeu mais uma vez FHC da compra de votos para a re-eleição. Insistiu nas provocações baratas em vez de responder questionamentos do presidente sobre ética.


Política Social


Lula perguntou a Alckmin de que programas sociais o ex-governador vai cortar investimentos, pois essa é a prática do PSDB. O presidente garantiu que no segundo mandato continuará com o Bolsa-Família e outros programas sociais que em menos de quatro anos atendem mais de 11 milhões de famílias e tiraram outras sete milhões da linha de pobreza. Lula lembrou que nos 12 anos de Alckmin em São Paulo o programa de distribuição de renda do PSDB mal atende 170 mil famílias.
Alckmin reafirmou que vai cortar gastos, mas voltou a não dizer onde serão. Todo o mundo sabe que o PSDB considera investimento social como despesa e por isso vai tirar dinheiro da educação, saneamento, saúde e outras políticas sociais. Essa ação é tão direcionada para o mercado, que as palavras finais do ex-governador no debate foram em defesa da iniciativa privada como forma de garantir o desenvolvimento do País. Isto é, o mercado tomar conta de nossas vidas.


Segurança Pública


Lula perguntou a Alckmin porque ele demorou 12 anos para perceber que o PCC existia em São Paulo. Também quis saber como foi possível o governo estadual permitir que o grupo criminoso dominasse o Estado. O presidente lembrou também a situação caótica em que se encontra a Febem após esses 12 anos e quis saber o que Alckmin pretende fazer em benefício dessas crianças.
Alckmin teve a cara de pau de negar a falência da Segurança Pública durante o período em que governou São Paulo. Falou que a segurança era um problema equacionado e tinha avançado na Febem, como se não tivessem ocorrido 94 rebeliões em suas unidades.


Política Externa


Lula, ao ser cobrado por Alckmin para adotar uma postura mais dura com relação a Bolívia, respondeu que isso é pensar com a cabeça do Bush. ‘Se o Bush tivesse o bom senso que eu tenho, não faria a guerra do Iraque. Ele foi avisado mas pensava que nem você (Alckmin) e fez uma barbárie dessas’, afirmou. Lula denunciou os tucanos de deixarem a política externa brasileira dependente dos interesses dos Estados Unidos e Europa e lembrou da abertura que o governo atual realizou em direção das nações pobres.
Alckmin afirmou que pretendia mudar totalmente a orientação da política externa. Ou seja, uma eventual vitória de Alckmin significa o retorno do Brasil à Alca e a submissão do País aos interesses dos Estados Unidos.


Energia


Lula destacou que FHC provocou o apagão, enquanto em seu governo 3,5 milhões de pessoas são atendidas pelo programa Luz Para Todos. Lembrou que o biocombustível foi criado há mais de dez anos, mas teve de esperar a administração atual para se transformar em fonte alternativa de energia. Quando Alckmin falou que iria gerar o recorde de 4.000 megawatts de energia, Lula observou que o ex-governador estava mal informado, pois no seu governo já foram criados 13.000 megawatts de energia. Ou seja, quatro vezes mais do que Alckmin quer criar.
Alckmin respondeu com a mentira que o apagão foi provocado por falta de chuva e não por ausência de investimento do PSDB. Não soube explicar porque seu partido não teve interesse em desenvolver o biocombustível.

  Categorias: