O que está em jogo no segundo turno

10 outubro 17:27 2006

O confronto direto entre Lula e Alckmin é a oportunidade que faltava para o que realmente interessa: o que está em jogo neste segundo turno é também o confronto das propostas dos dois candidatos para o futuro do Brasil. Beneficiado pela nova onda de denuncismo sobre um suposto dossiê, com a cumplicidade de parte da imprensa, em nenhum momento Alckmin apresentou propostas de governo ao eleitorado.


Dissimulado, o tucano limitou-se ao bordão do país decente, com crescimento e geração de emprego, o que aliás fez parte do discurso de todos os candidatos. Mas nunca abriu o jogo sobre os resultados práticos e desastrosos dos oito anos de FHC e dos doze anos de PSDB em SP. Se Alckmin não abre o jogo, outros tucanos assumem que, num eventual governo, uma das primeiras iniciativas do ex-governador seria a retomada da privatização, com a entrega da Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
 
E nós, energéticos, sabemos exatamente o que isso significa: as privatizações foram o grande escândalo do governo FHC, mais até que a compra de votos para a reeleição. Foi por causa das privatizações, junto com a falta de planejamento, que FHC jogou o Brasil no escuro e impôs à população o maior racionamento de energia elétrica da história.


Deve ser por isso que Alckmin esconde também que seu vice foi ministro da Energia exatamente na época do apagão. Nada fala também do estrago que provocou aqui em SP, doando patrimônio público ao capital privado preferencialmente internacional e provocando a geração de desemprego.


O candidato Alckmin adora falar também em choque de gestão. Talvez para se referir ao estrago que provocou em SP, com um imenso rombo nas contas públicas. O discurso alckmista fala ainda em reduzir os gastos públicos, mas não explica se vai cortar orçamento de programas sociais ou investimentos em energia, comunicação, geração de emprego e segurança pública. Fala também superficialmente em ética na política, mas esconde porque fez engavetar as 69 CPIs na Assembléia Legislativa.


É isso tudo que realmente está em jogo no segundo turno. E é exatamente por isso que ninguém pode ser indiferente. Isso sim é ética: promover o debate e ajudar a construir cidadania.

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