‘Aliança estratégica prevaleceu no acordo Brasil e Bolívia’ afirma ministro das Minas e Energia

01 novembro 16:35 2006

‘A Petrobrás fez um bom acordo com a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos, YPFB. O Brasil e a Bolívia continuam dentro desse projeto de construção de uma aliança que pode ser muito importante do ponto de vista energético para os dois países. Deram uma clara demonstração de como superar estrategicamente suas pequenas diferenças em prol de um projeto maior de integração da América do Sul, por meio do gás natural’, afirmou o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, sobre o acordo anunciado na noite do sábado passado, que determinou as novas regras para a exploração dos hidrocarbonetos no país andino, depois de sua nacionalização em 1º de maio deste ano.
 
INVESTIMENTOS – ‘Em algumas questões, nós cedemos, e, em outras, a Bolívia teve de ceder. Agora, temos a garantia de que vamos ter o ressarcimento de nossos investimentos’, revelou José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobrás, apontando que o acordo ‘garante o abastecimento do gás ao Brasil e permitirá o ressarcimento de custos e investimentos da Petrobrás’.


Com isso, os contratos de operação dos campos de San Alberto e San Antonio, que são as maiores reservas de gás da Bolívia, estão garantidos em sua exploração e produção, até pelo menos o ano de 2019, data de validade do contrato de fornecimento para o mercado brasileiro de 30 milhões de metros cúbicos por dia.


‘Somos um país pequeno, mas temos dignidade e aqui está nossa obrigação de nacionalizar o orgulho e a dignidade dos bolivianos’, afirmou em discurso o presidente boliviano, Evo Morales, frisando que o Brasil é ””o líder da região”” e que, além disso, ””estes acordos permitem o fortalecimento das relações”” e da integração entre ambos os povos.


‘Devemos dizer aos movimentos sociais, a todos os bolivianos, que a luta não foi em vão. Digamos missão cumprida’, afirmou Evo Morales, no Palácio de Comunicações, na mesma sala onde há 10 anos Gonzalo Sánchez de Lozada anunciava a privatização das empresas públicas do país. ‘Necessitamos investimento estrangeiro, mas como sócios, não como donos’, assinalou o presidente, explicou que a recuperação forma parte ‘da mudança do modelo neoliberal que seu governo se propõe’.


O presidente boliviano também garantiu que todos os acertos serão respeitados. ””Vai ser respeitado o que sempre pediram, a segurança jurídica. (…) Jamais vamos violar estes contratos transparentes””, declarou.


DIÁLOGO – Condenando as desequilibradas propostas da oposição peessedebista de invadir a Bolívia, Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, disse que ‘a Petrobrás mantém o que ela considera seu limite da rentabilidade, e acredito que também demonstra que, ao contrário de uma política de entrar na Bolívia, atacar a Bolívia e ter uma posição ou retórica de acusação ou de desafio, a opção de diplomacia do diálogo do presidente Lula foi uma posição que deu resultados práticos’.


A maior estatal brasileira terá que recolher, na origem, 50% de impostos. O restante será usado para cobrir custos e remunerar seus investimentos. O saldo será dividido com a YPFB.


A Petrobrás e outras sete empresas assinaram acordos neste sábado. Também foram assinados entendimentos com a franco-belga TotalFinaElf e a americana Vintage, que firmaram novos convênios um dia antes. Todas as petrolíferas estrangeiras instaladas na Bolívia vão permanecer no país.

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