Aneel passa a estabelecer metas de redução de perdas não técnicas por distribuidora

07 novembro 10:58 2006


Empresas poderão repassar perdas integralmente se provarem que chegar a índice zero exigiria custos muito elevados



A Agência Nacional de Energia Elétrica estabeleceu que as distribuidoras terão metas individuais de redução das perdas não-técnicas, de acordo com as novas regras da revisão tarifária periódica para o período de 2007-2010. As metas de redução levarão em conta as especificidades de cada concessão. ‘A redução vai até o limite que ela não seja antieconômica, ou seja, fique mais caro eliminar a perda do que tê-la’, observa Ricardo Vidinich, superintendente de regulação da comercialização da eletricidade da Aneel.



Vidinich disse que para o setor a meta seria zero de perdas não-técnicas, geradas por furtos e fraudes, mas a Aneel reconhece que isso seria difícil para muitas empresas. ‘Se elas conseguirem chegar próximo ao limite, teria que aceitar as perdas como parte do negócio’, ressalva. Com isso, as empresas poderiam conseguir repassar aquele nível de perda integralmente no reajuste tarifário e não apenas parte como atualmente.



O presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, Luiz Carlos Guimarães, considera a mudança é um avanço importante. ‘Agora se levará em conta o histórico da empresa, as realidades distintas. As metas serão realisticas’, diz. Guimarães ressalta que a questão do repasse ainda será decidida no momento da revisão.



Os furtos e ligações clandestinas, as chamadas perdas não-técnicas, geram prejuízos anuais de R$ 5 bilhões para distribuidoras do país, segundo o superintendente. O montante representam 15.298 GWh não faturados. A Aneel acredita que a redução do consumo é uma das armas para a queda dos níveis das perdas causadas por furtos e ligações clandestinas. O programa de eficiência energética tem, atualmente, 50% das verbas voltados para os consumidores de baixa renda.



‘Estudos mostram que quando o consumidor tem a conta reduzida para um nível pagável, ele prefere pagar a desviar energia. A conta é um comprovante de residência, que ajuda, por exemplo, na obtenção de crédiário’, conta Vidinich. Ele salienta que o papel da Aneel na questão é estimular as concessionárias a ter um trabalho mais efetivo, através de estudos e revisão de normas.



A questão será debatida na próxima quinta-feira, 9 de novembro, no ‘Fórum Nacional: Combate ao furto e a fraude no consumo em energia elétrica’, no Rio de Janeiro. Na ocasião, consumidores, agentes, reguladores e poder judiciário discutirão as formas mais eficazes de combate e como vêm sendo tratado o furto e a fraude no país. A Aneel será representada pelo diretor-geral, Jerson Kelman. (Alexandre Canazio)



Serviço:


Evento: Fórum Nacional: Combate ao furto e a fraude no consumo em energia elétrica


Local: Guanabara Palace Hotel, Avenida Presidente Vargas, 392, Centro, Rio de Janeiro – RJ


Data: 9 de novembro de 2006


Horário: 9 às 18 horas


Inscrições: http://www.networkeventos.com.br/cadastro_inscricao.php?evento=56&lg=pt

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