Eletrobrás deve investir mais de R$ 5 bilhões em 2007

10 novembro 10:06 2006

Montante é cerca de 14% superior aos investimentos neste ano


BRASÍLIA – O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Eletrobrás, José Drumond Saraiva, disse na quinta-feira (09) que a holding estatal deverá investir cerca de R$ 5,6 bilhões em 2007. O montante é cerca de 14% superior aos R$ 4,9 bilhões que deverão ser investidos neste ano. Segundo o executivo, dentre os desembolsos a serem realizados no ano que vem estão investimentos na construção de novas hidrelétricas arrematadas pelas empresas do grupo nos últimos leilões de energia nova, no reforço do sistema de transmissão e na modernização do parque gerador da empresa.


A Eletrobrás, holding que controla grandes estatais da área de geração e transmissão de energia como Furnas, Chesf, Eletronorte, Eletrosul e Eletronuclear, fechou o terceiro trimestre de 2006 com um lucro líquido de R$ 505,1 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 319,8 milhões verificado no mesmo período do ano passado. Em entrevista à imprensa, Saraiva atribuiu o resultado positivo da holding às melhorias que, disse, vêm sendo feitas na gestão do grupo. ‘Aumentamos o controle sobre as despesas operacionais e a gestão do fluxo de caixa’, disse o executivo.


Segundo ele, a holding vem trabalhando para reduzir a influência dos recebíveis de Itaipu em seus balanços. Atualmente, segundo o executivo, a Eletrobrás possui créditos a receber da usina binacional de US$ 6,8 bilhões, a serem quitados até 2023. Como esses recebíveis são cotados em dólar, a variação da moeda americana sempre teve um peso grande nos resultados da empresa, para cima ou para baixo. Apesar de ressaltar que esses recebíveis são importantes, por serem justamente uma espécie de hedge (segurança) natural do grupo, Saraiva disse que ‘era fundamental obter resultados melhores, sem depender tanto dos recebíveis’.


Entre as principais controladas do grupo, a empresa que registrou o maior lucro líquido no terceiro trimestre deste ano foi a Chesf, de R$ 450 milhões. Furnas teve um ganho de R$ 221 milhões, enquanto a Eletrosul lucrou R$ 160 milhões. A Eletronuclear apurou lucro líquido de R$ 21 milhões. A Eletronorte, por sua vez, teve uma perda de R$ 262 milhões no trimestre.


Leilões
Para Saraiva, o grupo tem ‘plenas condições’ de captar financiamentos junto ao BNDES ou a bancos do exterior para viabilizar investimentos nos grandes projetos de geração hidrelétrica que o governo pretende colocar em leilão, como as duas usinas do Complexo Hidrelétrico do Madeira, em Rondônia e a usina de Belo Monte, no Rio Xingu.


‘Assim que for definido o leilão desses grandes empreendimentos, nós estamos com plenas condições de viabilizar a captação de investimentos, seja no BNDES ou fora do País’, disse o executivo. Segundo ele, o grupo pretende participar de todos os próximos leilões de novos empreendimentos de geração ou de transmissão de energia.


‘Nosso rating é o mesmo do governo e temos feito captações externas a taxas bem favoráveis, de 7% a 7,5% ao ano’, disse o executivo, que destacou que o grupo vem mantendo conversas com o japonês JBIC e com bancos multilaterais como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento sobre eventuais financiamentos a projetos de geração de energia.


Pela lei, as empresas do grupo Eletrobrás (como Furnas, Eletronorte, Chesf e Eletrosul) podem participar de leilões de concessões de novos projetos de geração sozinhas ou em consórcio com empresas privadas. Nos consórcios, porém, a participação estatal na sociedade tem de ser obrigatoriamente minoritária, de até 49%. (Leonardo Goy)

  Categorias: