CPFL: aguapés ‘driblam’ trabalho de retirada e tomam a represa

16 janeiro 09:07 2007

Investimento da CPFL não é suficiente para resolver problema


A CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) não consegue controlar a proliferação de aguapés que toma conta da Represa do Salto Grande, um de seus reservatórios para geração de energia. De acordo com o diretor de operações da empresa, José Ferreira, o investimento de R$ 500 mil – que segundo ele é um dos maiores do setor – não é suficiente para superar a dificuldade encontrada na limpeza da represa. ‘Todos os dias retiramos entre 25 a 30 caminhões de aguapés, que são picados após saírem da água. No final de um mês a retirada corresponde a uma área de cinco hectares. No entanto as condições do local favorecem a proliferação deste tipo de vegetação. Assim que terminamos de retirar os cinco hectares, pelo menos três já foram afetados novamente pelos aguapés’, analisou.


Para tentar agilizar o processo de retirada da vegetação, Ferreira revelou que realiza estudos com a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) para picar os aguapés na própria água. ‘É um projeto piloto. Depois de picado, parte dos aguapés ficaria na própria água, onde seria absorvido pelo próprio meio e outra parte seria retirada’, informou.


A gerência da Cetesb de Americana confirmou a existência de estudos para a proposta, que ainda não foram finalizados e não há prazo definido para a emissão de licença da companhia para início do projeto.


Cobrança


Presidente da Comissão de Revitalização da Represa do Salto Grande na Câmara de Americana, o vereador Diego De Nadai (PV) cobrará da CPFL maior empenho para retirada dos aguapés. Para De Nadai, outras companhias energéticas do país realizam trabalhos de preservação mais consistentes que a CPFL em suas áreas de reservatório.
A acusação do vereador foi rebatida pelo gerente da companhia. ‘Gostaria que o parlamentar apontasse para mim uma outra empresa energética que investe mais do que a CPFL na preservação da área de seu reservatório. Sinceramente desconheço esta ocorrência’, afirmou Ferreira.


De Nadai disse que articula reuniões com prefeitos e vereadores das cidades da região, que deverão acontecer no início de fevereiro, para tratar de uma proposta conjunta de despoluição da represa. ‘A Represa do Salto Grande recebe uma grande carga de esgoto que alimenta os aguapés. Isso dificulta a retirada desta vegetação, mas também precisamos cobrar maior empenho da CPFL’. (Matheus Perez)

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