Trabalho decente para uma vida decente

23 janeiro 09:29 2007

No segundo dia do 7º Fórum Social Mundial, o primeiro com oficinas e mesas de debates, o movimento sindical se fez presente com o painel ‘Trabalho decente para uma vida decente’, tema título de uma campanha mundial com a participação da Confederação Sindical Internacional (CSI) e da CUT, cujo lançamento ocorreu no FSM.


Representantes da OIT (Organização Internacional do Trabalho), da CSI (Central Sindical Internacional) e de diversas organizações não-governamentais debateram durante toda manhã do domingo o tema do qual a CUT tem especial atenção: como criar mecanismos para combater a precariedade do trabalho, não apenas em relação as baixas remunerações, mas em todos os aspectos que envolvem a atividade produtiva, como os ambientes de trabalho.


Manouanata Cisse, da Ituc-CSI abriu os debates lembrando que esta preocupação já estava presente desde o primeiro FSM, em Porto Alegre. ‘O resultado de anos de debates e políticas contra a precarização do trabalho nos levou a esta campanha que é muito importante para os sindicatos e toda a sociedade. O objetivo desta campanha é unir as políticas sociais, econômicas e financeiras em nível nacional e internacional para a construção de um diálogo internacional’, afirmou.


O segundo debatedor, Assane Diop, da OIT destacou a importância da campanha comparando com outras, como a contra o apartheid (regime de segregação racial) na África do Sul. ‘O trabalho produtivo deve dar condições de dignidade, segurança e respeito aos trabalhadores’, afirmou. Segundo o dirigente, a proteção a grupos vulneráveis, como imigrantes e trabalhadores informais também deve fazer parte das preocupações da campanha. Para exemplificar citou o caso da África, continente no qual grande parcela da população não possui emprego formal.


Para o secretário de Relações Internacionais da CUT, João Antonio Felício, presente ao evento, uma campanha desse porte é muito importante para denunciar as condições de trabalho em diversos países, inclusive no Brasil, mas lembrou que cada região tem realidades distintas e é preciso saber como tratar essas diferenças. ‘A realidade de países da Europa é diferente dos da América Latina, essa campanha não pode se basear apenas em uma premissa, deve ser algo abrangente e que envolva o conjunto da sociedade. A ênfase está no movimento sindical, mas deve envolver os movimentos sociais e ser uma responsabilidade de todas as esferas de governo’, concluiu.


FSM 2007
 O 7º Fórum Social Mundial está montado em Nairóbi, no Quênia, desde o último dia 20. A programação vai até esta quinta-feira (25). (Norian Segatto e Leonardo Severo, de Nairóbi)

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