7° FSM: movimento social convoca mobilizações contra a guerra e o G8

24 janeiro 16:20 2007

O penúltimo dia do 7º FSM foi marcado por uma expressiva assembléia dos movimentos sociais e populares de diversas partes do planeta. A tônica principal foi contra a intervenção norte americana em diversos países, inclusive na vizinha Somália. A maioria dos discursos destacou a dificuldade da participação das delegações de países mais pobres, como o próprio Quênia, pelo alto custo das inscrições e despesas com alojamento e alimentação.


Segundo diversos manifestantes, os valores de alimentação e inscrição para o FSM estavam acima dos padrões da maioria dos países africanos, o que gerou, inclusive, uma conturbada manifestação durante o horário do almoço, quando um grupo de dezenas de quenianos invadiu dois restaurantes do Fórum para protestar contra os preços cobrados. O restaurante, de propriedade particular de um político local, conforme os manifestantes, foi destruído aos gritos de ”right to food” (direito de comer). Os equipamentos foram destruídos, mas nenhuma pessoa sofreu qualquer agressão.


No período da tarde, a assembléia dos movimentos sociais e populares refletiu esta indignação. O ator Dany Glover (de máquina mortífera) foi um dos destaques da assembléia, clamando os manifestantes para continuar a luta por melhores condições de vida para todos. Glover é um antigo militante do movimento negro norte americano.


Manifesto dos movimentos sociais
Intervindo em nome das entidades latino-americanas e caribenhas, Antonio Carlos Spis, da executiva nacional da CUT, colocou as posições indicativas a Assembléia dos Movimentos Sociais quanto a continuidade do Fórum.


‘A expressiva participação e representatividade registradas neste VII Fórum Social Mundial refletem o crescimento de uma consciência antiimperialista que se alastra pelo planeta, afirmando a necessidade da construção de novas relações econômicas, políticas e sociais baseadas na paz e na solidariedade’, declarou Spis. De acordo com o dirigente cutista, ‘a humanidade rejeita o sistema neocolonial que tem agravado as condições de miserabilidade e exclusão dos povos, agride a soberania dos países, enquanto concentra renda e poder nas transnacionais e no capital financeiro’.


No entanto, ressaltou, ‘para a construção deste novo mundo, como já disse o poeta angolano Agostinho Neto, não basta que seja justa e pura a nossa causa, é preciso que a justiça e a pureza existam dentro de nós’. Mais do que palavras, frisou, ‘a luta pela transformação da humanidade necessita de ações que vislumbrem correção e coerência’. Infelizmente não foi o que se viu neste VII FSM quando inúmeras organizações quenianas tiveram sua participação impossibilitada por desmandos burocráticos que aplicaram preços proibítivos para a realidade socioeconômica do país. Este FSM não foi construído com os movimentos sociais quenianos, FSM tem que ser aberto e sem mercantilização’ , sublinhou. Conforme Spis, os movimentos sociais vêem com otimismo as mudanças políticas no continente latino-americano e vão continuar pressionando para aprofundar os benefícios por uma outra América.


As ações e mobilizações necessárias para consolidar o FSM como expressão como vontade dos povos, reiterou, são:
1. Definir um calendário mundial de manifestações que tenham como eixo a luta pela paz contra a Guerra, em defesa dos direitos sociais e do meio ambiente (indicativo para o mês de março de 2007)
2. Garantir dentro da organização do FSM a realização de assembléias dos movimentos sociais e continuar com a construção deste espaço de consciência global dos movimentos
3. Fazer uma reunião na Alemanha durante o encontro do G8 em junho de 2007 com ações globais simultâneas
4. Propomos a periodicidade bianual com mobilizações e jornadas mundiais nos anos em que não houver o Fórum
5. Construir uma missão internacional em Oaxaca, no México, por mais direitos humanos e contra a repressão
6. Pela retirada das tropas da ONU do Haiti


Finalmente, enfatizou Spis, ‘os movimentos sociais propõem a ampliação do grupo de entidades ”facilitadoras” decidido em Bruxelas e que a responsabilidade de coordenação política dessas propostas fique a cargo da Aliança Social Continental’. ( Norian Segatto e Leonardo Severo, de Nairóbi)

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