Copom anuncia primeira taxa de juros depois do PAC nesta quarta

24 janeiro 18:30 2007

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia nesta quarta-feira (24/1) sua decisão sobre a taxa básica de juros (Selic), após uma reunião de dois dias. Atualmente a taxa está em 13,25% ao ano.


A reunião acontece apenas dois dias depois do anúncio oficial do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo. Na ocasião, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pediu publicamente uma queda mais acentuada na taxa. A aposta da equipe ministerial é de um corte de 0,5%.


A taxa vem caindo sucessivamente desde meados de 2004, quando estava em 18% ao ano. No entanto, a expectativa de boa parte dos analistas de mercado é de um corte de apenas 0,25% na taxa.


Para Mantega e seus técnicos, a decisão de hoje do Copom será fundamental para que o setor privado mostre disposição de ampliar seus investimentos e ajude a cumprir o objetivo central do PAC. Por isso, a aposta da equipe de Mantega, nos bastidores, é pela manutenção do ritmo de corte de 0,5% na Selic.


Os técnicos calculam que, se o Copom – que se reúne este ano oito vezes para discutir a taxa de juros – fizer pelo menos três cortes de 0,5% e mantiver outras reduções no nível de 0,25%, no fim do ano a taxa básica fecha entre 10% e 11%. As análises, no entanto, comportam a possibilidade de o Copom reduzir a Selic em 0,25% na reunião de hoje. O importante é a sinalização para o mercado.


Sem interrupção
O intolerável, segundo um assessor, seria a interrupção do processo de queda. ‘Uma interrupção nos cortes seria um problema e eles (integrantes do BC) provavelmente teriam de se explicar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.’


O secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, prefere não entrar na polêmica sobre o tamanho do corte da Selic, mas reforça a expectativa da continuidade de redução da taxa básica. Barbosa enfoca sua avaliação no fato de que o PAC não põe em risco a trajetória de queda dos juros.


‘O PAC não é expansionista no sentido de ameaçar a queda dos juros’. A situação macroeconômica no Brasil e no exterior, segundo ele, é favorável à manutenção do processo de queda dos juros, com a redução dos preços do petróleo e a pressão deflacionária mundial causada pela China. ‘O ritmo de queda vai depender do BC (Banco Central), mas as condições do Brasil e da economia mundial apontam uma trajetória decrescente dos juros’, disse.


Na defesa da continuidade do processo de queda da Selic, Barbosa lembra que o ritmo menor de crescimento nos últimos dois anos criou uma folga na capacidade instalada do país, que permite agora a aceleração do crescimento, sem pôr em risco a estabilidade da inflação.

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