Arlindo Chinaglia é eleito presidente da Câmara

02 fevereiro 10:20 2007

Após a apuração dos votos do segundo turno, o governista Arlindo Chinaglia (PT-SP) foi eleito novo presidente da Câmara dos Deputados. O petista derrotou na votação o também governista Aldo Rebelo (PC do B-SP), que buscava a reeleição.


A votação do segundo turno foi encerrada às 20h43 desta quinta-feira (01), e 510 dos 513 parlamentares votaram na disputa entre os dois governistas pela presidência da Câmara. Chinaglia foi eleito ao receber 261 votos contra 243 de Aldo. Também aconteceram seis votos brancos.


Em seu primeiro discurso no cargo, Chinaglia prometeu uma gestão democrática e impacial. ‘Durante a campanha, além da política, eu fiz amigos e amigas. Mantenho com ambos os companheiros de jornada uma relação especial. Com referência às disputas, elas vão acontecer, porque são próprias do parlamento, mas a presidência vai ter o dever da imparcialidade’, disse, após cumprimentar Aldo e Fruet.


‘A partir de agora, vamos conduzir a Casa respeitando cada deputado e deputada, a legitimidade de cada mandato’, disse. ‘Cumprimento todos aqueles que tiveram outras opsções. Isso agora é passado. Peço ajuda de vocês para que eu erre o menos possível. Quero fazer uma gestão democrática’, convocou o petista.


‘Vamos ao trabalho para recuperar plenamente a Câmara dos Deputados, a principal instituição democrática do país’, finalizou. Após ser empossado, Chinaglia deu início à votação, em segundo turno, do cargo de primeiro secretário da Mesa Diretora.


Primeiro turno
No primeiro escrutínio, 512 dos 513 parlamentares participaram da votação. Chinaglia liderou a apuração com 236 votos (para vencer em primeiro turno, eram necessários 257) contra 175 de Aldo. Gustavo Fruet (PSDB-PR) somou 98. Ainda foram registrados três votos brancos.


A votação do primeiro turno começou por volta das 16h45 e durou cerca de três horas. O processo foi considerado rápido, já que pela primeira vez uma votação secreta da Câmara foi realizada por meio de urna eletrônica.


A Câmara adotou a urna eletrônica para evitar a longa duração neste tipo de sessão. Em 2005, por exemplo, a votação que elegeu Severino Cavalcanti foi feita através de cédulas e durou cerca de 17 horas, incluindo primeiro e segundo turnos.


Apoios
O apoio das duas maiores bancadas da Câmara (PMDB e PT) à candidatura de Chinaglia pesou na vitória do petista. Ele também recebeu apoio das bancadas do PR, PTB e PP. Os cinco partidos, juntos, totalizam 272 deputados federais.


Aldo Rebelo tinha o apoio de quatro legendas: PC do B, PSB, PDT e PFL, que somam 125 parlamentares. Já o oposicionista Gustavo Fruet, que foi eliminado na primeira votação, contava com o apoio do PPS e de seu próprio partido, o PSDB, que juntos têm 81 deputados.


Governo
Com a vitória de Chinaglia, o presidente Lula sai fortalecido do Congresso. No Senado, também venceu a eleição um candidato da base governista, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que recebeu 51 votos contra 28 do oposicionista José Agripino (PFL-RN).


A presidência da Câmara é o cargo mais cobiçado do Congresso, porque ele tem a prerrogativa de definir a pauta de votações, comandar e gerenciar as sessões de plenário e decidir se aceita ou arquiva representações que pedem o ‘impeachment’ do presidente.


Além disso, o presidente da Câmara é o segundo na linha sucessória do presidente da República. Na ausência do presidente e do vice, é ele quem assume o governo. Isso, por exemplo, havia acontecido com o próprio Aldo Rebelo no ano passado.


Discurso
Antes da eleição, Chinaglia discursou para os colegas e assumiu o compromisso de ouvir a todos, independentemente de ser parlamentar da base aliada ou da oposição. ‘O Parlamento é maior do que qualquer um de nós ou de nossos partidos’.


Chinaglia prometeu fazer da Câmara dos Deputados um Parlamento soberano e respeitado. ‘Não posso aceitar um Parlamento acuado. Não temos o compromisso com o erro, por isso, aceitaremos críticas, mas não vamos assistir pacificamente ao ataque injusto a esta Casa’.


O deputado também afirmou que a crise no Legislativo brasileiro é página virada e que os deputados que tomaram posse nesta quinta-feira devem pensar em futuros projetos para o país. ‘Queremos estar à altura da tarefa que o Brasil espera de todos nós’.

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