Eficiência energética pode trazer redução de R$ 110 bilhões nos custos com suprimento em 2050

02 fevereiro 17:03 2007

Estudo do Greenpeace mostra que medidas reduzirão consumo em 413 TWh/ano. Entidade defende mudança na matriz energética do país


O Brasil poderá reduzir os gastos com suprimento de energia em R$ 110 bilhões em 2050. Essa economia vêm de pesados investimentos, na casa dos R$ 70 bilhões anuais, em medidas de eficiência energética. A conclusão é do relatório ‘Revolução energética – Brasil’ apresentado nesta sexta-feira, 2 de fevereiro, em São Paulo, pelo Greenpeace.


O estudo afirma que os gastos brasileiros com a eletricidade passariam de R$ 530 bilhões para R$ 350 bilhões em 2050. Os valores se referem aos gastos projetados para aquele ano, comparando dois cenários: o de referência, com dados oficiais, e o de ‘revolução energética’, com a adoção de uma matriz limpa e sustentável.


A ênfase em medidas de eficiência energética resultaria em uma economia de 413 TWh/ano para o país. Com isso, o consumo brasileiro que, pelo cenário de referência, chegaria a 1.422 TWh/ano em 2050, seria de 1.009 TWh/ano, pelo cenário de ‘revolução energética’. O consumo final de energia em 2005 ficou em 346 TWh/ano. Segundo o relatório, a aplicação de ações de eficiência energética tem potencial de reduzir em 328 TWh/ano a demanda.


O relatório da organização não-governamental defende ainda a mudança da matriz energética do Brasil, com a eliminação da geração de energia elétrica a partir de óleo combustível, carvão e nuclear. A matriz brasileira passaria, em 2050, no cenário de ‘revolução energética’, a ser dividida em em: 38% hidrelétrica, 26% biomassa, 20% eólica, 12% gás natural e 4% solar fotovoltaica.


Para que as projeções sejam realizadas, o Greenpeace defende que o setor seja estruturado em torno da conservação de energia, investimentos e políticas públicas de apoio a energias renováveis como eólica e biomassa. O estudo brasileiro faz parte do relatório internacional ‘Revolução energética – perspectivas para uma energia global sustentável’ lançado na semana passada, com o apoio da Comissão Européia de Energias Renováveis.


No Brasil, O Greenpeace fechou parceria com o Grupo de Engenharia de Energia e Automação de Elétricas da Faculdade Politécnica da USP para aplicar o software e projetar os cenários de geração de eletricidade para o país. Resultado de modelagens por computador, o relatório apresenta cenários futuros para a geração e distribuição de eletricidade no Brasil até 2050, com base em avaliações de aumento populacional, crescimento do PIB e fontes e tecnologias de energia disponíveis.


O cenário de referência foi projetado a partir de dados da Empresa de Planejamento Energético. Já o cenário de ‘revolução energética’ atendeu aos princípios do Greenpeace para uma matriz limpa e sustentável. O relatório pode ser acessado no site do Greenpeace: www.greenpeace.org.br. (Alexandre Canazio)

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