Embargo das obras do Metrô: quando o Estado se omite, o povo sofre mais

02 fevereiro 17:22 2007

‘A Delegacia do Trabalho fez o que o Serra não teve coragem de fazer’, disse ontem o presidente da Federação Nacional dos Metroviários, Wagner Fajardo, ao comentar o embargo das obras da linha amarela do Metrô entre o Largo da Batata e a Estação Butantã. O embargo visa garantir a saúde e segurança dos trabalhadores.


Ele afirmou que cerca de mil trabalhadores podem estar correndo riscos nos túneis, já que a responsabilidade de segurança está a cargo das empreiteiras. O salário dos trabalhadores está garantido durante o embargo.


Fajardo lembrou que em nenhum momento o governo estadual e o Metrô tomaram providência para dizer aos trabalhadores e a quem mora no entorno da linha amarela que a obra está segura. ‘Seria temerário eles dizerem isso porque nem eles têm essa segurança’, comentou.


A decisão da DRT contraria os planos das empreiteiras e do governo estadual. Eles pretendiam retomar as obras desse trecho imediatamente em seguida ao término do trabalho de resgate das vítimas do desabamento do túnel.


A DRT fez uma série de exigências técnicas e também quer mudanças no programa de condições de trabalho e meio ambiente.


As empreiteiras também deverão descrever o método de escavação, riscos para os trabalhadores, medidas preventivas coletivas e individuais, sistema de monitoramento das movimentações das estruturas de terreno e os procedimentos de emergência em novo acidente.


Um dos pontos mais importantes destacados por Fajardo foi a DRT exigir das empreiteiras e do Metrô a comprovação que os trabalhadores têm treinamento e capacitação para realizar esse tipo de obra. Tudo isso o Estado de São Paulo deveria exigir e não o fez.


Metroviários querem vistoria em toda a obra
O Sindicato dos Metroviários quer a suspensão dos trabalhos em todos os canteiros de obras até que sejam vistoriadas as condições de segurança. Atualmente existem 17 mil trabalhadores envolvidos nos quase 13 quilômetros de extensão da linha.


O Sindicato questiona o modelo de gestão adotado na construção da linha amarela, que não permite às CIPAs vistoriar o andamento dos trabalhos, tarefa à cargo das próprias empreiteiras. Uma das reivindicações do Sindicato é que as CIPAs voltem a ter o poder de fiscalização.

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