Assassinato de missionária completa dois anos e mandantes continuam soltos

12 fevereiro 16:42 2007

Nesta segunda-feira (12), completa dois anos da morte da irmã Dorothy Stang, 73 anos, assassinada com seis tiros no município de Anapu, no estado do Paraná, em 2005. A missionária americana naturalizada brasileira, da congregação das irmãs de Notre Dame de Namur trabalhava em defesa das causas ambientais, agrárias e de direitos humanos.


Três dos cinco acusados pelo assassinato já foram condenados mas os mandantes do crime continuam soltos. A Justiça aguarda a apreciação de um recurso do fazendeiro Regivaldo Galvão, o Taradão, para marcar o julgamento. O do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, está agendado para abril.


O episódio é o reflexo da Amazônia que sofre com assassinatos, grilagem de terras, trabalho escravo e destruição. Apesar de ser um caso de repercussão mundial a violência no campo não tem fim. Crimes praticados por madeireiros e fazendeiros que têm seus interesses econômicos ameaçados ainda são registrados. Diante dessa situação, entidades e movimentos sociais instituíram o dia 12 de fevereiro como um dia de luta em defesa da Amazônia e contra a impunidade.
 
Para marcar a data várias atividades de homenagem foram organizadas pelos movimentos sociais. Pela manhã foi realizada uma celebração ecumênica. No período da tarde uma comissão dos movimentos sociais deve apresentar para a governadora Ana Júlia Carepa um documento sobre a situação no campo após a morte de Dorothy.


Quem foi Dorothy Stang
Dorothy Mae Stang, conhecida como Irmã Dórote (Dayton, 7 de junho de 1931 – Anapu 12 de fevereiro de 2005) foi uma freira norte-americana naturalizada brasileira.


Pertencia às Irmãs de Nossa Senhora de Namur, congregação religiosa fundada em 1804 por Santa Julie Billiart (1751-1816) e Françoise Blin de Bourdon (1756-1838). Esta congregação católica internacional reúne mais de duas mil mulheres que realizam trabalho pastoral nos cinco continentes.


Ingressou na vida religiosa 1948, emitiu seus votos perpétuos – pobreza, castidade e obediência – em 1956. De 1951 a 1966 foi professora em escolas da congregação: St. Victor School (Calumet City, Illinois), St. Alexander School (Villa Park, Illinois) e Most Holy Trinity School (Phoenix, Arizona).


Em 1966 iniciou seu ministério no Brasil, na cidade de Coroatá, no Estado do Maranhão.
Irmã Dorothy estava presente na Amazônia desde a década de setenta junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu. Sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da Transamazônia. Seu trabalho focava-se também na minimização dos conflitos fundiários na região.


Atuou ativamente nos movimentos sociais no Pará. A sua participação em projetos de desenvolvimento sustentável ultrapassou as fronteiras da pequena Vila de Sucupira, no município de Anapu, no Estado do Pará, a 500 quilômetros de Belém do Pará, ganhando reconhecimento nacional e internacional.


A religiosa participava da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde a sua fundação e acompanhou com determinação e solidariedade a vida e a luta dos trabalhadores do campo, sobretudo na região da Transamazônica, no Pará. Defensora de uma reforma agrária justa e conseqüente, Irmã Dorothy mantinha intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Região Amazônica.


Dentre suas inúmeras iniciativas em favor dos mais empobrecidos, Irmã Dorothy ajudou a fundar a primeira escola de formação de professores na rodovia Transamazônica, que corta ao meio a pequena Anapu. Era a Escola Brasil Grande.


Irmã Dorothy recebeu diversas ameaças de morte, sem deixar intimidar-se. Pouco antes de ser assassinada declarou: «Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.


Ainda em 2004 recebeu premiação da Ordem dos Advogados do Brasil (secção Pará) pela sua luta em defesa dos direitos humanos. (Ana Paula Carrion)

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