Renda sobe 4,7% e emprego fica estagnado

23 fevereiro 10:54 2007

A taxa de desemprego ficou estável em janeiro (9,3%) em relação a igual mês de 2006, mas o rendimento nas seis principais metrópoles do país manteve firme sua trajetória de recuperação e cresceu 4,7%.


Desde julho de 2005, o rendimento cresce sem interrupção quando comparado com o mesmo mês do ano anterior. Em dezembro, a alta havia sido de 4,5%, de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.


A renda média ficou em R$ 1.066,10 em janeiro, já descontada a inflação. Apesar do crescimento por 19 meses seguidos, o rendimento ainda não voltou aos níveis do período anterior à crise pré-eleitoral de 2002 que levou o dólar a bater em R$ 4 e arrastou a economia a uma recessão que perdurou em 2003.


Na média de 2002, a renda ficou em R$ 1.127,53. Em 2003, caiu 12,2% e até agora não se recompôs. ‘O que vimos até agora foi só uma recuperação da renda. Não houve um ganho de fato, um avanço real. Mas em 2007 vamos voltar para os níveis de 2002 porque a renda deve continuar a crescer’, disse Marcelo de Ávila, economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).


Já o economista Fábio Romão, da LCA, não se mostra tão otimista. Diz que neste ano a renda continuará em alta, mas não repetirá o mesmo crescimento de 2006 -quando subiu 4,3% e chegou a R$ 1.045,75.
O motivo, diz ele, é que a inflação não será tão baixa quanto no ano passado -o INPC ficou em 2,92%. A LCA projeta um índice próximo a 4%.
Outro fator determinante, avalia, é que o reajuste do salário mínimo, que teve um ganho real de 13% em 2006, será menor neste ano. ‘O aumento será mais modesto, perto de 5%.’


‘Acomodação’
Se a recuperação em relação a 2006 continua, na comparação com dezembro do ano passado a renda teve um tropeço: caiu 1,1%, depois de três meses seguidos de crescimento.


Para Ávila, do Ipea, a retração ante dezembro ‘foi uma acomodação e não representa uma nova tendência de queda do rendimento’.
Segundo Cimar Azeredo Pereira, gerente da pesquisa de emprego do IBGE, a demissão dos empregados temporários também afetou o rendimento, assim como ocorreu com o desemprego. É que eles trabalham em sua maioria no comércio, por curto período e têm ganhos inflados por comissões.


O rendimento médio dos trabalhadores do comércio caiu 1,9% de janeiro para dezembro.


Já na comparação anual, os destaques foram as altas no rendimento dos trabalhadores da construção civil (13,5%) e de serviços domésticos (7,1%).


Famílias
O IBGE calculou ainda a renda domiciliar per capita, indicador do poder de compra das famílias, obtida a partir da soma dos rendimentos dos trabalhadores dividida pelo número de pessoas do lar. No mês passado, houve uma expansão de 5,9% na comparação com janeiro de 2006.
‘O crescimento da renda domiciliar no ano está relacionado com a queda da inflação e revela o aumento do poder aquisitivo da família’, disse Azeredo, do IBGE.


De dezembro para janeiro, a renda domiciliar apresentou um recuo de 1,1%, ficando em R$ 661,80.


De uma média de 3,2 pessoas por família, 1,7 estava ocupada em janeiro. (Pedro Soares)

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