Chega ao fim mais uma edição do Horário de Verão

26 fevereiro 09:22 2007

O horário de verão, que terminou no último sábado, 25 de fevereiro, tem estimada uma economia de 1.920 MW para o país, segundo dados preliminares divulgados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. Essa economia significa R$ 50 milhões, referentes a gastos com combustíveis para geração térmica.


A projeção do ONS é de redução de 1.480 MW na demanda do subsistema Sudeste – Centro-Oeste, correspondente a 4% de um consumo total de 38 mil MW. A economia é equivalente a duas vezes o consumo do Distrito Federal. Já no subsistema Sul, a redução de consumo prevista pelo ONS é de 440 MW, cerca de 4,4% da demanda do submercado, de 10,5 mil MW.


Os estados que participaram do horário especial foram Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. A previsão oficial é de uma redução de 4% a 5% na demanda do horário de ponta, aproximadamente de 2,1 mil MW.


Esta edição do horário de verão começou no dia 05 de novembro de 2006 e teve uma duração de 112 dias, 13 a menos que a versão passada. A redução do período se deveu a uma solicitação da Justiça Eleitoral para que a entrada em vigor da medida fosse adiada devido à dificuldades de se ajustar os relógios das urnas eletrônicas nas eleições do ano passado.


Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a redução média de 4 a 5% no consumo de energia no horário de pico durante os meses do Horário de Verão gera outros benefícios ao setor elétrico e à sociedade em geral, decorrentes da economia de energia associada.


Quando a demanda diminui, as empresas que operam o sistema conseguem prestar um serviço melhor ao consumidor, porque os troncos das linhas de transmissão ficam menos sobrecarregados. Para as hidrelétricas, a água conservada nos reservatórios poderá ser de grande valia no caso de uma estiagem futura. Para os consumidores em geral, na teoria, o óleo diesel ou combustível ou o carvão mineral que não precisou ser usado nas termelétricas evitará ajustes tarifários.


Economia comprovada
As distribuidoras começaram a divulgar os balanços com a economia e a redução da demanda conseguidas desde o dia 5 de novembro passado, quando o Horário de Verão entrou em vigor. A Elektro (SP), Cemig (MG), Celesc (SC) e RGE (RS) conseguiram atingir as metas esperadas de redução da demanda em cerca de 4%.


A Elektro constatou uma redução de 5,1% na demanda, equivalente a 102 MW, e uma diminuição de 0,55% no consumo, aproximadamente 19 GWh.


A distribuidora mineira observou uma redução de 3,8% na demanda máxima, correspondendo a 230 MW. A empresa espera uma redução total do consumo de energia de 0,6%, 32 MW médios.


A Celesc avalia que conseguiu uma redução de 5% na demanda no horário de ponta entre às 18 e 21 horas, correspondendo a 138 MW. O consumo caiu 34 GWh em Santa Catarina no período. A RGE estima a redução na demanda em 4,7%, equivalente a 64 MW. No caso do consumo de energia houve uma diminuição de 0,27%.


As economias conseguidas durante o Horário de Verão representam um alívio para os reservatórios e para o sistema de transmissão do país na época de maior consumo de energia. O horário especial, ao reduzir o carregamento do sistema, melhora as condições de suprimento, em termos de continuidade e qualidade, além de aumentar a segurança da operação do sistema.


O Horário de verão


O horário de verão foi adotado pela primeira vez em 1931 no Brasil, sendo que até 1967, a medida foi adotada nove vezes. Já a partir de 1985, ele vem ocorrendo sem interrupções, com mudanças apenas na área atingida e no período de duração.


O principal objetivo da implantação do Horário de Verão é o melhor aproveitamento da luz natural ao entardecer, o que proporciona substancial redução na geração da energia elétrica, em tese equivalente àquela que se destinaria à iluminação artificial de qualquer natureza, seja para logradouros e repartições públicas, uso residencial, comercial, de propaganda ou nos pátios das fábricas e indústrias.


De fato, o Horário de Verão reduz a demanda por energia no período de suprimento mais crítico do dia, ou seja, que vai das 18h às 21h quando a coincidência de consumo por toda a população provoca um pico de consumo, denominado ‘horário de ponta’. Portanto, adiantar os ponteiros do relógio em uma hora, como acontece durante aproximadamente quatro meses no ano, permite que se aproveite melhor a luz natural, obtendo-se uma redução da ponta (apurada por medição pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS).


Em última instância, a implantação do Horário de Verão, ao permitir que entre 19 e 20 horas ainda se disponha de claridade no céu, evita que se ponha em operação as usinas que seriam necessárias para gerar a energia elétrica para iluminar, ao entardecer, as regiões onde o sistema de hora especial é implantado e que abrange os maiores centros consumidores do País.

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