Contra a desigualdade e contra a violência, mulheres paralisam a Paulista

12 março 18:33 2007

Não foi apenas uma caminhada da Praça Oswaldo Cruz (início da Avenida Paulista) até o vão do Masp. As 20 mil mulheres presentes no ato da tarde do dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, na principal via da cidade de São Paulo representavam a mobilização e a luta histórica por igualdade de direitos e por participação na construção de uma sociedade fraterna e democrática.
 
A passeata, ‘Feministas em luta para mudar o mundo: por igualdade, autonomia e liberdade’, reuniu trabalhadoras e movimentos sociais organizados contra a desigualdade, opressão e contra o presidente norte-americano George W. Bush, responsável por comandar a invasão de tropas norte-americanas ao Iraque, que já assassinaram milhares de pessoas.
 
Sobre o caminhão de som que percorreu a Paulista, Cida Trajano, Secretaria Estadual Sobre a Mulher Trabalhadora da CUT/SP, parabenizou as mulheres pela força do evento e lembrou o que as paulistas enfrentam desde o início do governo do PSDB. ‘Desde o começo do mandato dos tucanos nós sofremos com a precarização do ensino para nós e para os nossos filhos. O governo Serra, que não oferece estrutura para cuidar de doenças como o câncer de mama e o câncer de útero, responsável por matar milhares de mulheres todos os anos, ainda nos faz conviver diariamente com a falta de segurança que tomou conta do Estado. Precisamos nos unir para exigir melhores condições de vida e trabalho’, afirmou Cida.


Fora Bush!
Para Edílson de Paula, presidente da CUT/SP, a caminhada serviu para mostrar ao mundo a força das brasileiras. ‘Ações como esta são fundamentais para a conquista de direitos e espaço de decisão na nossa sociedade. A implantação da Lei Maria da Penha, a criação da Secretaria Especial de Política Para as Mulheres e a ocupação de ministérios são avanços que ocorreram graças ao esforço e muito trabalho das mulheres’, disse.
 
Edilson lembrou ainda que lutar contra Bush é se posicionar contra o neoliberalismo que o governo norte-americano tenta impor ao mundo. ‘Um dos princípios dos neoliberais é aumentar o lucro da iniciativa privada através da retirada de direitos dos trabalhadores’, aponta.


O avanço da economia dos EUA baseada na exploração do trabalhador é comprovada por uma pesquisa realizada pelas universidades de Harvard (EUA) e McGill (Canadá), divulgada no mês passado, que aponta o país entre os piores nos direitos trabalhistas. Além da licença-maternidade, o país de Bush, ao contrário do que acontece em 107 países, inclusive no Brasil, não assegura os direitos da mulher que está amamentando e não possui legislação que regule jornada de trabalho, férias anuais e adicional noturno.


Repressão policial
Agredindo o clima pacífico e ordeiro da manifestação, policiais militares da Tropa de Choque tentaram comprometer o brilho do evento, despejando balas de borracha, bombas de
gás lacrimogêneo e de ‘efeito moral’ – termo ridicularizado por uma polícia que atua como guarda pretoriana tucana – de forma covarde contra os manifestantes, grande parte mulheres, muitas jovens, algumas idosas e até em cadeiras de rodas. A quem serve esta polícia, que será utilizada nos jornais para aferir o número de pessoas presentes ao protesto, a fim de diminuir a expressividade do ato? Para quem faz segurança? Até o presidente da UNE, Gustavo Petta, foi ferido na perna, no cotovelo e nas costas, por estilhaços de uma bomba, além de ter a camiseta rasgada.


Como afirmou a secretária nacional de Organização da CUT, Denise Motta Dau, no encerramento do ato, no Masp, após os manifestantes terem feito a Polícia Militar recuar da sua agressão, ‘nossa voz vai ecoar mais forte que as bombas da polícia do PSDB e os canhões de Bush’. A política do governo norte-americano, denunciou Denise, ‘é de retrocesso na luta das mulheres, seja nos Estados Unidos, onde cortou verbas dos programas sociais e promove o desmonte dos direitos sexuais e reprodutivos, seja no repasse a entidades que lutam contra a aids nos países africanos’. Ao mesmo tempo, frisou, estamos nas ruas neste 8 de março, comemorando os avanços obtidos no Brasil, como a Lei da Maria da Penha, de combate à violência contra a mulher. ‘A repressão policial covarde que assistimos nesta avenida mostra a necessidade da luta por justiça e contra a impunidade’, acrescentou. (Luiz Carvalho com colaboração de Leonardo Wexell Severo da CUT Nacional )

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