Dia Internacional da Mulher: comemoração, reflexão e luta

12 março 18:57 2007

Na manhã de quinta, no auditório da CUT, trabalhadoras e trabalhadores se reuniram para discutir uma sociedade mais justa e igualitária. Elizabete Pereira , diretora de projetos da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, representante da Ministra Nilcéa Freire; Valéria Pandjiarjian , advogada, pesquisadora, membro do CLADEM – Comitê Latino Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher; Tatau Godinho , militante do movimento feminista, ex-coordenadora da Coordenadoria da Mulher da Prefeitura de São Paulo; Denise Motta Dau , Secretaria de Organização da CUT Nacional; Edilson de Paula , Presidente da CUT/SP e Francisca Trajano dos Santos , Secretaria Estadual Sobre a Mulher Trabalhadora, fizeram um balanço das políticas afirmativas destinadas às mulheres e traçaram expectativas sobre a luta para igualdade de gênero.
 
Tatau Godinho foi a primeira a falar e ressaltou a luta feminista contra a organização e opressão, que começou, coletivamente, quando as mulheres passaram a fazer parte do Mercado de Trabalho. ‘A sociedade tenta o tempo todo ridicularizar a luta das mulheres e a violência é fundamental nesse processo, pois é uma forma de estabelecer controle e relação de desigualdade’, afirma. Para ela, se as mulheres não estiverem organizadas em seus núcleos (Sindicatos, associações, comissões de fábrica) terão dificuldade para obter espaço de decisão na sociedade.


Advogada e pesquisadora, Valéria Pandjiarjian, destacou que a aprovação da Lei 11.340 – Maria da Penha é uma vitória na luta por legislação específica sobre a violência contra a mulher. ‘Ela é um avanço porque dá ênfase maior na proteção, assistência e trata a violência de forma inteira. Não mostra a questão como se fosse apenas um problema da Delegacia da Mulher’. Valéria lembrou a todas que além da lei prever políticas públicas que garantam sua eficácia, possibilita prisão preventiva e em flagrante do agressor e traz o aumento de pena para lesão corporal.


Conferências
Representante da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Elizabete Pereira traçou uma retrospectiva da gestão do primeiro mandato de Lula. Ela destacou os eixos definidos na I Conferência Nacional de Mulheres, em 2005, e apontou o principal tema de discussão da II Conferência, que acontece neste ano, entre 18 e 21 de agosto, em Brasília: participação das mulheres nos espaços de poder.


‘A mulher precisa estar ciente da necessidade de mobilização no planejamento da ações políticas, que vão da fiscalização das verbas que são destinadas ao Estado para a saúde, educação e políticas públicas, até o planejamento das associações de bairro’, apontou Elizabete.
 
A diretora, que lembrou também de ações como a implantação do Disque 180, para combater a violência e um projeto direcionado a professores, que os capacitará como agentes de combate pela igualdade nas relações de gênero, raça e opção sexual.


Francisca Trajano, a Cida, aproveitou para destacar a necessidade de participação das mulheres nas pré-conferências temáticas e conferências municipais que aprofundarão o debate a respeito dos eixos a serem apresentados na etapa estadual (entre 15 de maio e 15 de junho). Na Conferência Estadual serão definidos os encaminhamentos e a delegação que estará no encontro nacional. ‘Todas nós temos a tarefa de mobilizar o maior número de mulheres possível para propor políticas afirmativas. Não podemos nos eximir desta responsabilidade’, afirmou Cida.
 
Orgulho pela luta
O presidente da CUT/SP, Edilson de Paula, se emocionou ao ver o auditório cheio.’A presença de tantas pessoas aqui mostra que estamos no caminho certo no processo de conscientização. Sempre lutamos para que o Coletivo das Mulheres se transformasse em Secretaria (o que aconteceu em 2006), e nosso grande desafio hoje é que exista um Coletivo de Mulheres em cada uma de nossas 17 subsedes e Sindicatos, que ainda não tem consciência sobre a importância desta luta’, destacou.
 
Edilson mostrou que a luta da CUT/SP é levar o debate das trabalhadoras para a praça pública. ‘Através do CUT Cidadã Mulheres nós levamos para as periferias de São Paulo, onde fica a população menos assistida pelo Estado, informação sobre temas como a Lei Maria da Penha e luta por cidadania e igualdade’.
 
Para encerrar o debate, a Secretaria de Organização da CUT Nacional, Denise Motta Dau, lembrou que o movimento feminista trouxe ao movimento sindical algo que parece óbvio, mas, muitas vezes não é: a classe trabalhadora tem dois sexos. ‘O combate por igualdade é uma agenda geral da CUT, não uma luta específica das mulheres. A Central representa a classe trabalhadora como um todo’.


Foi a partir da participação das mulheres que a CUT começou a debater conquistas para as trabalhadoras como as cotas. Nenhum gênero pode ocupar menos de 30% e mais de 70% dos cargos de direção.


A cota é apenas parte das políticas afirmativas, um modo de acelerar a luta por igualdade, que foram implantadas desde a fundação da Central Única dos Trabalhadores. ‘Nós também promovemos campanhas de sindicalização específicas para as mulheres, campanhas de cidadadina e igualdade como ‘Violência Contra a Mulher, Tolerância Nenhuma’ e orientamos aos Sindicatos que tracem das categorias para identificar as reivindicações das mulheres nos ramos’, disse Denise.


Para ela, após travar uma luta de resistência na década de 90 contra a retirada de direitos e o neoliberalismo, há espaço para um sindicalismo mais propositivo. ‘Com a estabilidade econômica e o fortalecimento da democracia podemos debater cláusulas sociais além das questões economicistas. Não queremos trabalhar a parte, mas participar do debate geral das questões da classe trabalhadora’, finalizou. (Luiz Carvalho)

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