Baixo crescimento cria 11,3 milhões de desempregos nos últimos 25 anos

21 março 15:19 2007

O baixo crescimento da economia nos últimos 25 anos e a mudança da estrutura de trabalho nos centros urbanos, de transformação dos setores de serviços e comércio em maiores geradores de emprego no lugar da indústria, levaram 11,3 milhões de brasileiros, mais do que a população inteira da cidade de São Paulo, à condição de desempregados ou agregados sociais.


A constatação foi feita pelos economistas Márcio Pochmann, Alexandre Guerra, Ricardo Amorim e Ronnie Aldrin, com base nos levantamentos de dados utilizados no livro ‘Atlas da Nova Estratificação Social do Brasil – Trabalhadores Urbanos, Ocupação e Queda na Renda’, apresentado ontem em São Paulo. Eles utilizam a expressão ‘desclassados’ para qualificar os desempregados ou agregados sociais apontados nos levantamentos.


‘A estrutura social constituída durante o ciclo da industrialização está em desconstrução’, afirmou Pochmann, em entrevista coletiva. Os trabalhadores urbanos somam cerca de 33,6 milhões de brasileiros, e representam 49,2% das ocupações do país. Em 1980, eram 27,7 milhões, o equivalente a 54,3% da população ocupada. ‘Entre 1960 e 1980, a classe trabalhadora cresceu, em média, 5% ao ano, enquanto que, de 1980 a 2005, a alta foi de 0,7% ao ano. Se tivesse mantido sua participação relativa, mais 11,3 milhões de brasileiros se somariam, hoje, à classe trabalhadora urbana’.


Pela nova estratificação social, os trabalhadores urbanos representam, em sua maioria, a mão-de-obra operacional da economia, de empregos intermediários, caso de vendedores, trabalhadores de estruturas de alvenaria, ambulantes, garçons, cozinheiros, guardas, operadores e por aí afora. A renda familiar desse estrato é inferior a cinco salários mínimos.

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