MME prevê acionar plano de contingência para gás natural em até uma semana se oferta não se normalizar

23 abril 18:44 2007

Bolívia cortou gás para Argentina e 1,8 milhão de metros cúbicos/dia de contratos brasileiros para assegurar cumprimento de contratos com Petrobras


O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, afirmou nesta sexta-feira, 20 de abril, que a implementação do plano de contingência para o gás natural será aplicada em até uma semana, caso haja redução drástica do fornecimento do combustível pela Bolívia. No entanto, segundo Rondeau, o governo boliviano garantiu que o fornecimento para o Brasil, no âmbito dos contratos com a Petrobras, serão assegurados.


Caso o plano de contingência seja acionado, segundo Rondeau, as medidas mais prováveis serão a redução do consumo interno de gás da Petrobras, o acionamento, com o combustível alternativo, de térmicas bicombustíveis que eventualmente estejam ordenadas a despachar, e negociações com grandes consumidores de gás (indústrias), que tenham opção de atendimento com outros insumos.


A expectativa de Rondeau é que a situação esteja normalizada até domingo, apesar de manter uma espécie de gabinete de crise, que está monitorando a situação. ‘Se até domingo, o fluxo de gás não estiver recuperado, a partir da segunda-feira, nós temos quatro dias para fazer o empacotamento do gasoduto’, contou, explicando que a operação consiste em operar o gasoduto com pressão maior para manter o fluxo de gás normalizado.


Manifestações ocorridas na localidade de Pocitos, na Bolívia, resultaram em danos na estação de bombeamento de condensados. A produção de gás natural dos campos de San Alberto ficou afetada, reduzindo de 10 milhões de metros cúbicos diários para cerca de 3,2 milhões de metros cúbicos diários. Rondeau explicou que o compromisso de fornecimento da Bolívia para o Brasil prevê uma sequência de prioridades.


Para atender ao mercado interno e à Petrobras, cuja demanda, hoje, estava em cerca de 23 milhões de metros cúbicos, a Bolívia cortou o fornecimento para a Argentina, além de suspender a entrega de 1,2 milhão de metros cúbicos diários para a Pantanal Energética, que atende a Cuiabá, e de 600 mil metros cúbicos diários de um contrato com a British Gas, para a Comgás. No caso do gás para Cuiabá, o ministro destacou que não há risco de faltar energia porque a usina não gera na base.


É a segunda eventualidade que afeta o fornecimento de gás em um ano. Fortes chuvas danificaram um gasoduto na Bolívia, obrigando a Petrobras a reduzir a produção do combustível.


Candiota – Rondeau participou hoje da assinatura de contratos de financiamento de Candiota II fase C, uma térmica a carvão da CGTEE no Rio Grande do Sul, de 350 MW. A usina receberá recursos do China Development Bank e o BNP Paribas. O valor total dos contratos é de US$ 430 milhões. A construção será feita pelo Citic Group. (Fábio Couto)

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