Lula apóia endurecimento da posição da Petrobras em negociações com Bolívia

08 maio 19:11 2007

Rio de Janeiro, 8 mai (EFE).- O presidente Lula apoiou hoje o endurecimento da posição da Petrobras em suas negociações com a Bolívia e esclareceu que, ‘por enquanto’, a disputa é da empresa e não afeta as relações entre os dois países.


‘A Petrobras não tem problema em vender as refinarias (que operam na Bolívia), mas quer um preço justo. Caso não haja pagamento teremos que ir à Justiça internacional para exigir os direitos da empresa’, declarou Lula em um ato oficial em Santa Catarina.


‘Por enquanto a briga é com a Petrobras. Por enquanto não é uma briga que envolva o Governo’, declarou o líder, que esclareceu que, apesar das divergências, não teme que a crise ameace o fornecimento de gás natural no Brasil, que importa da Bolívia praticamente metade do combustível que consome.


A Petrobras solicitou na última segunda que o Governo boliviano concluísse as negociações para a venda das duas refinarias que opera no país.


Estas instalações têm que passar para o controle da Bolívia pela nacionalização de hidrocarbonetos decretada há um ano pelo Governo de Evo Morales.


A empresa brasileira deu um prazo de 48 horas para a Bolívia fazer uma nova proposta de compra por toda a sua participação nas refinarias, já que não deseja continuar no setor de refino neste país nem como sócio minoritário.


A Petrobras afirmou que caso a proposta boliviana não seja satisfatória irá à Justiça internacional para recuperar seu investimento nas refinarias.


Até agora a Bolívia ofereceu pagar até US$ 60 milhões pelas duas instalações, mas a Petrobras, que as adquiriu em 1999 em um processo de privatização por US$ 104 milhões, alega que o preço de mercado das plantas chega a US$ 200 milhões.


O presidente da Petrobras afirmou que caso sua empresa seja obrigada a apelar à Justiça ‘possivelmente não haverá clima’ para executar os novos investimentos previstos na Bolívia.


A Petrobras endureceu sua posição por causa do decreto anunciado no domingo por Morales, que outorga à estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) o monopólio da exportação do petróleo reconstituído e das gasolinas ‘brancas’ produzidos nas refinarias do país.


Esta medida, que a estatal brasileira diz ter conhecido por meio da imprensa, reduz ainda mais a margem de lucro da Petrobras na Bolívia.


O vice-presidente José Alencar também comentou hoje a disputa e disse que a Petrobras tem direito de endurecer sua posição caso sofra algum prejuízo.


‘Não posso crer que um país vizinho que recebeu toda a atenção de nosso Governo queira adotar uma posição contrária aos interesses legítimos de nosso país e de uma empresa que colaborou com o desenvolvimento deles’, declarou Alencar.


‘Se é assim, a Justiça internacional tem que ser acionada para preservar o direito do Brasil. Este é o caminho natural. O que a Petrobras deseja é o justo e não sofrer prejuízos’, concluiu.

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