10 DE MAIO: HISTÓRIA PARA GUARDAR NA MEMÓRIA

09 maio 19:22 2007

A maior greve da nossa história faz 18 anos. Fica na memória dos eletricitários como exemplo de combatividade e a maior lição de união, garra, consciência e democracia na luta por direitos.


Uma história para guardar na memória:


Maio de 1989. O Brasil da era Sarney registrava índices de inflação de três dígitos – 933,62% em 88 – e batia recordes de demissões em todo o país. O Plano Verão anunciado pelo governo trazia só mais prejuízos aos trabalhadores que foram às ruas ou pararam as fábricas  contra as novas medidas do governo federal.


Em SP, o governo Quércia manteve-se intransigente e  não atendeu ao apelo dos trabalhadores das então estatais CESP e CPFL. Depois de mais de dois meses buscando negociação, sem nenhuma resposta, os eletricitários decidem pela greve por tempo indeterminado a partir do dia 10, uma quarta-feira. 


Foram à luta para defender os salários, que perdiam 74,64% do poder de compra entre janeiro e abril, e as empresas públicas, que perdiam a credibilidade e a eficiência para se transformar em cabides de emprego com gestão sob forte influência político-partidária. E fizeram a maior paralisação  da história, com a participação decisiva de centenas de trabalhadores, principalmente das grandes localidades da CESP – Água Vermelha, Jupiá, Ilha Solteira e Bauru.


Pouco tempo depois, todos  os trabalhadores da CESP no interior e parte do pessoal da CPFL cruzavam os braços e assumiam o Comando de Greve para manter sob controle os serviços essenciais e não prejudicar a população.


A disposição de luta e a unidade da categoria foi bem maior que a repressão e as armações do governo para tentar desmoralizar a greve. Apesar do movimento pacífico e ordeiro, o ex-ministro do Trabalho e então presidente da CESP, Murilo Macedo,  conseguiu uma proeza nunca antes vista: abrir o TRT num sábado (13) para (obviamente)  julgar a greve ilegal. 


Na segunda (15), apesar da força da paralisação, Sindicato e trabalhadores decidem suspender temporariamente a greve para aguardar as negociações, depois do recuo das empresas. Vieram então conquistas sindicais e econômicas que mais tarde se transformariam em direitos. Pouco  depois, vieram também  as demissões injustas e ilegais de dez companheiros da CESP, que mais tarde foram reintegrados.   


10 de maio de 2007. A maior greve da história dos eletricitários faz 18 anos. Fica na memória dos energéticos como exemplo de combatividade e a maior lição de união, garra, consciência e democracia na luta por direitos. Faz parte da história de quem viveu, mas também de quem chegou depois e precisa conhecer de fato a sua própria história.

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