CPFL Energia tem interesse em novas aquisições em distribuição e geração

11 maio 17:09 2007

Distribuidores de pequeno e médio porte em SP e RS são alvos preferenciais. Cesp vai ser analisada em caso de privatização
 
A CPFL Energia não satisfeita com as últimas aquisições continua no mercado prospectando novas oportunidades de negócios. Os alvos do grupo são claros: as pequenas e médias distribuidoras dos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, nos quais já tem interesse, e novos empreendimentos de geração, principalmente, disponibilizados nos leilões de energia. Mas a possível privatização da Cesp também está no radar da companhia.


‘A companhia está sempre olhando ativos com a lógica de agregação de valor’, afirmou Wilson Ferreira Júnior, presidente da CPFL Energia, durante teleconferência com analistas nesta quinta-feira, 10 de maio. O caso da Cesp, de acordo com o executivo, é interessante porque a companhia está em um processo de descontratação da energia, mais intenso entre 2008 e 2010, que aumentam as possibilidades de comercialização.


A CPFL adquiriu em abril passado o grupo CMS Energy Brasil por US$ 211 milhões agregando quatro distribuidoras e ativos em geração, comercialização e prestação de serviços. A operação aguarda aprovação de órgãos reguladores como a Agência Nacional de Energia Elétrica e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. A CPFL detém, atualmente, cerca de 13% do mercado de distribuição nacional, cujo limite de concentração imposto pela Aneel é de 20%.


Para Wilson Ferreira Jr, essa limitação deveria ser revista já que foi feita em um período no qual se acredita que o segmento de distribuição seria uma atividade de concorrência. ‘As condições mudaram. A compra de energia se dá por leilões que só pode ser vendida para o mercado cativo. Então um participação pouco acima de 20% não leva a posicionamento de domínio no mercado’, avaliou o executivo.


Ao responder a pergunta de um dos analistas sobre uma possível venda da AES Eletropaulo (SP), Ferreira Jr disse que é um ativo interessante que funciona com índices pouco abaixo da CPFL Energia. ‘Eles serão analisados (Cesp e Eletropaulo) quando os controladores se deciderem pela venda. Vamos decidir se atuaremos sozinhos ou com parceiros’, afirmou. De acordo com Ferreira Jr, as recentes aquisições representam um equity de R$ 1,1 bilhão ao grupo.


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, por meio do BNDESPar, abriu em março processo de alienação de ações que detém na Brasiliana – holding na qual é acionista junto com o grupo AES.


Além da CMS, entram na conta a RGE (RS), Foz do Chapecó e a Companhia de Luz e Força Santa Cruz (SP). Nas duas primeiras, a CPFL adquiriu o controle acionário nas quais já era acionista. Nas duas distribuidoras, a CPFL Energia está aplicando planos de integração que resultaram em economia de R$ 48,5 milhões até 2008. Em Foz do Chapecó (SC, 855 MW), o grupo, proprietário de 51% do empreendimento, vai realizar a maior parte dos R$ 2,2 bilhões de investimento previstos. (Alexandre Canazio)

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