Emenda 3: direitos não se negociam, se ampliam

23 maio 17:44 2007

Nem a típica manhã paulista, de frio e chuva, foi capaz de diminuir a força da manifestação dos trabalhadores diante da sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista, nesta quarta-feira (23). Ao lado de entidades patronais e da OAB-SP, a Fiesp apóia a queda do veto do presidente Luis Inácio Lula da Silva à Emenda 3, que permite a flexibilização das relações de trabalho.


Além dos Sindicatos da grande São Paulo, a CUT contou com o apoio das subsedes de Osasco, Araçatuba, Baixada Santista, Bauru, Campinas, São José do Rio Preto, Sorocaba e Vale do Ribeira. O eixo de mobilização também incluiu a exigência da queda da PPL 001/07, a defesa de uma previdência social pública e universal, além de mudanças no modelo econômico, com redução do superávit primário e direcionamento de mais recursos para políticas públicas.
 
Vagner Freitas, membro da executiva da Central Única dos Trabalhadores e presidente da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro)- CUT/SP abriu o ato para lembrar que o Brasil precisa de duas reformas, mas nenhuma delas contra o emprego no país. ‘Queremos sim reformas, mas agrária e tributária para garantir a democracia no campo e fazer com que grandes empresários e banqueiros passem a contribuir de acordo com seus lucros’, afirmou.


Agenda negativa e greve geral
Presidente da CUT/SP , Edílson de Paula, assim como já fizera no início desse mês durante a comemoração do dia dos trabalhadores, ressaltou que a Central não aceitará uma agenda ataques ao emprego no país. ‘Não podemos admitir que o Congresso, ao lado dos patrões e da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil), que inclusive não representa a opinião da entidade nacionalmente, criem entraves para o trabalho. Se a emenda passar, em São Paulo vamos mostrar nosso repúdio diante da casa de cada um dos parlamentares que apoiarem a derrubada do veto do presidente Lula’, disse.


Artur Henrique, presidente da CUT, encerrou o ato por volta do meio-dia e ressaltou o simbolismo da manifestação. ‘Estamos diante da Fiesp para dizer ao senhor Paulo Skaf (presidente da Federação) que trabalhador não é empresa. Não vamos permitir a retirada de nenhum direito e para isso pedimos aos nossos companheiros que se comprometam em fazer assembléia nas bases. Caso o veto caia, como querem a Fiesp, a Rede Globo e a OAB-SP, nós vamos preparar uma greve nacional’, apontou. Artur disse ainda que o PAC (Plano de Aceleração de crescimento) só será viável se o desenvolvimento acompanhar a valorização do trabalho e a distribuição de renda, pontos que a Emenda 3 ataca.


Por que o debate não está na grande mídia?
Guto Camargo, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado, uma das categorias que mais sofre com a precarização das relações trabalhistas, respondeu a pergunta do título em sua fala. ‘Não pensem que os jornalistas deixam de publicar matérias ou não levam a discussão sobre a emenda para os jornais e emissoras de rádio e TV. A discussão não está na grande mídia porque a direção dos jornais filtram as informações e ocultam a real dimensão do problema. O interesse da Rede Globo é o mesmo da Fiesp e dos grandes canais do país’, ressaltou.


Guto, que representou o setor de comunicação ao lado de Nilton Martins, do Sindicato dos Radialistas de São Paulo, também lembrou o movimento pelas eleições diretas no país, em 1984. ‘Não podemos esquecer como as emissoras omitiam e conseqüentemente censuram a luta dos movimentos sociais pela democracia no Brasil’.
 
Luiz Cláudio Marcolino , presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, que retardaram a abertura das agências na Paulista (leia abaixo), demonstrou como a
Globo manipula as informações. ‘Num dos capítulos de uma das novelas da emissora, a personagem interpretada pela atriz Glória Pires diz que vai abrir uma empresa e a empregada a apóia, dizendo, ‘ que bom, você não terá mais patrão. A emissora vende a idéia de que os trabalhadores terão autonomia, mas não cita que perderemos conquistas como Fundo de Garantia, 13.º salário e férias, além de ficarmos desempregados no futuro ‘ , critica Marcolino .


José Lopes Feijóo , presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, disse que a Emenda 3 é um atraso para o país. ‘É uma política burra porque o mercado de consumo depende da renda da classe trabalhadora, que cairá com as demissões, assim como a produtividade nas empresas. Se a emenda passar, o empregado será mandado embora e o patrão irá propor a recontratação, porém, como PJ, portanto sem acesso a FGTS, 13.º salário e férias’. Mas, ressalta ele, a participação nas decisões das empresas não terão qualquer modificação. ‘Podem ter certeza que, apesar de se transformarem em Pessoas Jurídicas, os trabalhadores não poderão tomar o poder na Fiesp. Nossa briga é contra a mania que os empresários tem de sempre dar um jeitinho de roubar nossos direitos’. (Luiz Carvalho)

  Categorias: